Educadores participam do seminário em Curitiba.

Segundo dados no Ministério da Saúde, a idade média de iniciação sexual das meninas, no Brasil, é de 14 anos . A pouca idade e a desinformação estão gerando, cada vez mais, adolescentes grávidas ou infectadas pelo vírus HIV, responsável pela aids. Na capital paranaense, o índice de gravidez em pacientes de 15 a 19 anos do Sistema Único de Saúde (SUS) varia entre 20 e 24%. No Hospital Pequeno Príncipe, por exemplo, 51,78% das internações de meninas entre 10 e 19 anos estão relacionadas com gravidez, parto e pós-parto.

No caso da aids, estudos dos órgãos de saúde mostram que a proporção atual na faixa de 15 a 19 anos é de seis mulheres infectadas para um homem. Esse índice é resultado de relações sexuais sem prevenção e compartilhamento de seringas nas drogas injetáveis. São 250 mil casos notificados no País. Estima-se que 600 mil pessoas vivem com aids. Desses, 46 mil são jovens. O Ministério da Saúde considera que o País vive uma verdadeira epidemia da doença.

Uma das maneiras de enfrentar o problema e reduzir o número de casos é a aplicação da educação sexual nas escolas. Esse foi o tema do 2.º Seminário Adolescência: Sexualidade na Escola, promovido pelo Centro Paranaense de Cidadania (Cepac) em conjunto com os ministérios e secretarias municipais e estaduais de Saúde e Educação. O evento aconteceu ontem, em Curitiba, e reuniu cerca de 1,1 mil pessoas, entre diretores de escolas, professores, pais de alunos e profissionais de saúde.

De acordo com Toni Reis, presidente da Cepac, o objetivo do encontro foi refletir sobre a implantação da educação sexual nas escolas.

O evento integra o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, que realiza a orientação sexual e distribuição de preservativos para adolescentes de 14 a 17 anos em 14 escolas de Curitiba. Desde agosto de 2003, o programa entregou 3,4 milhões de camisinhas para 106 mil estudantes. Segundo Reis, a intenção é estender o projeto para mais oito escolas ainda no primeiro semestre deste ano. “Nós fizemos tudo com muito cuidado, com capacitação para professores, diretores e pais de alunos”, conta. Não houve resistência, a não ser de alguns religiosos, que, depois de conversarem com a gente, entenderam que é necessário um trabalho desse tipo”, afirma Reis. Curitiba foi uma das cidades piloto do projeto. Estima-se que daqui a dois anos o programa esteja implantado em toda a rede pública de ensino do País.