Apesar do frio, o inverno já está com os dias contados e a primavera se aproxima – começa na próxima quinta-feira. No entanto, o que preocupa não é o clima, mas o que vem com a próxima estação. Segundo especialistas, é nesta época que os casos de varicela aumentam. Como não é uma doença de notificação obrigatória, a Secretaria de Estado da Saúde não tem como contar o número de casos, mas se preocupa com as orientações sobre a doença.

?A varicela ainda está ocorrendo na população de uma forma endêmica e epidêmica e principalmente em crianças. Final de inverno e início da primavera a incidência é muito maior?, explica Nilce Haida, responsável pelo Departamento de Doenças Imunopreveníveis da secretaria.

A doença é altamente transmissível, principalmente pela via respiratória. Os sintomas se iniciam com febre, tosse e coriza. Depois é que aparecem as manchas, geralmente no peito, costas e abdome, que acabam virando vesículas (bolhas com líquido). ?A gente orienta que, se houver um caso, que os familiares tenham o cuidado de aparar sempre as unhas e evitar que a criança coce, além de cuidar muito bem de se alimentar e hidratar o paciente?, explica Nilce.

A pediatra Lúcia Serro Bricks, do Instituto da Criança de São Paulo, alerta quanto às situações de creches. ?Aqui em São Paulo pudemos verificar que crianças que freqüentam creches pegam a doença mais cedo, complica mais e morrem mais. Em 2003, aqui, foram 60 casos letais em crianças?, afirma a pediatra.

A vacina é recomendada a crianças a partir de um ano de idade, mas é disponível apenas em clínicas particulares. ?A vacina existe, mas ainda não tem quantidade suficiente de produção no Brasil?, explica Nilce, lembrando que Araucária é a segunda cidade no País que mais disponibiliza a vacina para a população.

?Em crianças menores de três anos a doença começa como uma infecção de pele, que pode até formar um quadro de infecção generalizada?, explica a pediatra Lúcia Bricks.