maissaude3.jpgLuísa tem 21 anos de idade. Há cerca de 6 anos teve a primeira crise de ansiedade e pânico generalizado. Estava em casa estudando e de repente começou a se sentir mal. O coração começou a bater muito depressa e ela passou a sentir falta de ar. Pensou que iria morrer. Levada às pressas para o hospital tomou um comprimido, ficou melhor e voltou para casa. No entanto, as crises não pararam por aí, se tornando mais freqüentes. Sempre os mesmos sintomas: aperto no peito, mãos e pés muito suados, falta de ar, tonturas, taquicardia. Ela sempre com medo de morrer. No caso de Luísa, o diagnóstico era síndrome do pânico. A estudante ainda está em tratamento, mas perdeu a autoconfiança, só quer ficar em casa e continua sempre alerta com medo de que a crise volte a se repetir.

Esta situação já aconteceu com alguns portadores da síndrome. Muitos buscam atendimento quando estão com alguns sintomas comuns ao de um infarto. Essas crises atingem de 2% a 2,5% da população mundial. Apesar da alta incidência, a doença só foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na década passada. Antes, os sintomas muitas vezes eram associados a outras doenças e o paciente nem chegava a consultar o médico especializado para tratá-lo: o psiquiatra.

Atualmente, com a maior divulgação dos sintomas da doença, médicos não especializados e pacientes já estão mais familiarizados com os sintomas. Ainda assim, os transtornos do pânico demoram a ser diagnosticados corretamente. O médico Osmar Ratzke, presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria, comenta que o primeiro ataque de pânico costuma acontecer nos adultos jovens, entre 25 e 40 anos. Assim como em outras doenças psiquiátricas, como depressão, são as mulheres as mais atingidas pela doença. A proporção é de dois casos entre mulheres para um entre os homens.

Ratzke diz que, em geral, o pânico parece surgir do nada e pode ocorrer enquanto a pessoa pratica suas atividades normais, como dirigindo ou caminhando para o trabalho. ?A crise de pânico inicial se dá geralmente quando as pessoas se encontram em um elevado nível de estresse, devido, por exemplo, ao excesso de trabalho ou mesmo à perda do emprego?, relata.

Lembranças anteriores

Em geral, segundo relato das pessoas acometidas pela síndrome, instala-se um tipo de "medo de sentir medo", isto é, o medo de que a crise retorne. ?A primeira crise nenhum paciente esquece?, observa Ratzke. Devido a um processo de associação, sempre que a pessoa se deparar com alguma coisa que lembre aquele primeiro processo pode remeter à situação das crises anteriores e funcionar como um ?gatilho? para novas crises. ?Pode ser no shopping, no engarrafamento ou mesmo em situações vividas em casa mesmo?, ressalta.

As crises também podem ocorrer após um acidente, cirurgia ou doença grave, além do uso de cocaína ou outras drogas e medicamentos estimulantes. Para o especialista, o grande problema é quando os episódios de pânico se sucedem, afetando seriamente a qualidade de vida dessas pessoas. ?Muitas nessas circunstâncias acabam por se confinar no ambiente familiar, evitando sair e perdendo assim todo o contato com o mundo real?, observa Ratzke, salientando que a cura dificilmente se dá de forma espontânea.

Os especialistas recomendam o tratamento medicamentoso para combater as crises, visando, numa primeira fase, o restabelecimento do equilíbrio bioquímico do cérebro. Numa segunda fase, pode se recorrer a um tipo de psicoterapia específica, denominado terapia cognitiva. O objetivo, nesses casos, é ajudar o paciente a enfrentar os seus próprios limites e as adversidades que se lhe deparam no decurso da vida.

O CORPO SE PREPARA

Os sintomas físicos de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente, preparando o corpo para alguma ?coisa terrível?.

– Contração muscular.

– Palpitações.

– Tonturas e náuseas.

– Boca seca.

– Calafrios ou ondas de calor.

– Realidade distorcida.

– Terror.

– Confusão mental.

– Vertigens.

– Medo de morrer.

Boa notícia para controlar as crises

O Laboratório Roche lançou este ano no Brasil o Rivotril® (Clonazepam). O remédio é indicado para o tratamento da síndrome do pânico, nas crises em situações inesperadas. O medicamento tem ação rápida e é de fácil administração, trazendo mais comodidade ao paciente. Trata-se do primeiro benzodiazepínico do mercado com registro aprovado como formulação sublingual. Um comprimido possui 0,25 mg de clonazepam e só é vendido sob prescrição médica.