O empresário Arcy Knopf Júnior, de 52 anos de idade, explica que o cuidado com a proteção da sua pele foi passado por sua avó, em uma época que não havia muitas opções de produtos no mercado voltados à proteção contra os raios ultravioletas do sol.

Por ter, praticamente, todos os fatores de risco (pele clara, olhos claros, exposição freqüente ao sol), ele é um sério candidato a sofre de câncer da pele.

“Minha avó não me deixava sair nos horários em que o sol estava mais forte, me obrigava a usar bonés e aplicava um creme protetor sempre que precisava enfrentar o sol”, comenta. “Xuxa”, como é conhecido, até hoje não sai de casa sem proteção e reaplica o protetor seguidamente.

Por seu lado, a fotógrafa Fernanda B. desde a adolescência não podia perder um minuto de sol. Ficava esticada na praia, na piscina, onde quer que estivesse. Até mesmo durante os horários considerados mais impróprios. Nunca se importou com proteção solar, achava que tinha a pele “boa”.

Aos 33 anos, percebeu uma pequena ferida nos ombros que sempre sangrava e não cicatrizava. A fotógrafa só resolveu procurar um médico quando a ferida começou a lhe incomodar muito.

Uma biópsia confirmou um câncer de pele. Fernanda teve sorte que o tumor era de fácil tratamento, passou por uma cirurgia e ficou livre do pesadelo. “Agora, só saio de casa depois de passar protetor”, observa.

Campanha anual

Sabendo que o brasileiro gosta de estar constantemente bronzeado e com a expectativa da chegada do verão, a Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza, no dia 8 de novembro, a sua 10.ª Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele.

O objetivo é conscientizar a população sobre como impedir o surgimento da doença, cuja estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) prevê mais de 120 novos casos em 2008.

“A diminuição no número de casos passa pela informação já que 85% dos casos de câncer da pele poderiam ser evitados se os cuidados com a proteção solar fossem tomados”, afirma o dermatologista Marcus Maia, um dos coordenadores nacionais da campanha.

Poucas pessoas lembram que a pele, o maior órgão do corpo humano, também pode adoecer e, por isso, precisa de cuidados. Muitos problemas da pele, incluindo o câncer poderiam ser evitados com cuidados adequados, principalmente na infância e no início da vida adulta.

De acordo com o dermatologista Júlio César Empinotti, da Sociedade Brasileira de Dermatologia -Seção Paraná, o efeito nocivo do sol sobre a pele é observado na idade adulta, mas o seu desenvolvimento começa na infância. Isto se deve, conforme o médico, pela ação cumulativa da radiação solar sobre a pele.

Atenção aos “sinais”

A recomendação dos especialistas é para que os menores se protejam, usando chapéus, camisetas e protetores solares adequados ao seu tipo de pele, principalmente aqueles de pele, cabelos ou olhos claros.

“Além deles, fazem parte do grupo de risco as crianças ou adolescentes que mais se queimam do que bronzeiam, além dos que têm casos de câncer de pele na família”, adverte Empinotti.

Para os dermatologistas, prevenção é uma questão de costume. Quase todos têm o corpo pontuado por pequenos sinais, com os quais convivem, muitas vezes, desde a infância e que, na maioria das vezes, não levantam qualquer suspeita.

De acordo com os especialistas, a maioria esmagadora desses sinais é inofensiva, tanto aquelas que já existem quando nascemos quanto as que aparecem ao longo da vida. No entanto, algumas dessas manchas podem apresentar aspectos particulares que podem possibilitar um maior risco de desenvolver melanomas.

“Os sinais considerados anormais são assimétricas, de tamanho irregular, cor não uniforme e diâmetro superior a seis milímetros”, esclarece o coordenador Marcus Maia.

Do ponto de vista médico, uma pele bronzeada indica apenas que o organismo está tentando se proteger dos rai,os prejudiciais do sol. Portanto, a melhor conduta é a prevenção.

“Se uma ferida apareceu sem causa aparente e não cicatriza ou ainda se uma pinta sofreu uma alteração brusca no tamanho, na cor ou no aspecto, não perca tempo, procure o seu médico porque pode ser um câncer da pele”, recomendam os dermatologistas.

Estímulo à prevenção

Na décima edição da Campanha Nacional de Prevenção do Câncer da Pele, que acontece no dia 8 de novembro, cerca de 1.500 dermatologistas farão atendimentos gratuitos em 174 postos, em 23 estados brasileiros.

Serão oferecidos exames completos da pele e orientações sobre os cuidados com a exposição solar, prevenção e descoberta precoce da doença. Além disso, casos de diagnósticos positivos serão imediatamente encaminhados para tratamento ou cirurgia sem nenhum custo.

De acordo com um dos coordenadores nacionais da campanha, o dermatologista Marcus Maia, cerca de 10% das pessoas examinadas nas edições passadas da campanha apresentou a doença.

A expectativa é de que esse quadro mude em cerca de 30 anos, quando os jovens que atualmente se protegem do sol estiverem com idade mais avançada. A intenção da entidade é interferir na incidência da doença, estimulando o processo de prevenção primária.

“Evitar que o câncer ocorra, lembrando a importância do uso de protetor solar, roupas e chapéus na exposição ao sol”, ressalta a dermatologista Selma Cernea, também coordenadora nacional da campanha, salientando que vestimentas adequadas são tão importantes quanto a aplicação do filtro solar.

Postos de atendimento

Apucarana
Unimed Apucarana

Cascavel
Hospital Universitário do Oeste do Paraná

Curitiba
Hospital Universitário Evangélico de Curitiba
Santa Casa de Misericórdia de Curitiba
Hospital de Clínicas da UFPR
Foz do Iguaçu
Poliambulatório Nossa Sra. Aparecida

Guarapuava
Consórcio Intermunicipal de Saúde Guarapuava/Pinhão

Londrina
Policlínica Autarquia Municipal de Saúde de Londrina

Maringá
Hospital Universitário Estadual de Maringá

Paranaguá
Centro Municipal de Especialidades

Toledo
Unimed Costa Oeste