O nosso sentido do tato afeta o modo como vemos o mundo e outras pessoas, influenciando pensamentos e comportamento. É o que diz um novo estudo feito pela Universidade de Yale em conjunto com Harvard e com o Instituto Tecnológico de Massachusetts, nos EUA.

Os pesquisadores descobriram que formas, texturas e pesos podem influenciar nas decisões que tomamos em nossas vidas. Por exemplo, um entrevistador de emprego que segura uma prancheta de forma pesada é mais propenso a escolher candidatos que levam o trabalho mais a sério.

Para chegar a essas conclusões foi usada uma série de seis experimentos para demonstrar quão dramaticamente o sentido do tato afeta o modo como as pessoas vêem os outros e o mundo ao seu redor. O pesquisador John A. Bargh, de Yale, disse que nossas mentes estão profundamente e organicamente ligadas aos nossos corpos, por isso, o velho conceito de dualismo corpo-mente está mais vivo do que nunca.

Por meio de experimentos foi possível descobrir coisas como, por exemplo, as pessoas que se sentam em uma cadeira mais dura, podem ficar emocionalmente mais insensíveis. Além disso, os pesquisadores descobriram que as pessoas julgam ser mais generosas e solidárias, depois de terem bebido uma xícara quente de café ao invés de uma bebida fria.
Bargh diz que conceitos físicos, como o calor, a dureza, a rugosidade estão entre os primeiras sensações a se desenvolverem em um ser humano. Por isso, eles são fundamentais para a forma como os jovens adultos e crianças vão desenvolver conceitos abstratos sobre pessoas e relacionamentos.

De acordo com o pesquisador, essas sensações ajudam a criar um “andaime mental” em nossa compreensão sobre o mundo e sobre como nós envelhecemos. A experiência física não influencia apenas a forma da fundação de nossos pensamentos e percepções, mas influencia o nosso comportamento em relação aos outros, às vezes apenas porque estamos sentados em um disco rígido em vez de uma cadeira macia.

Os pesquisadores ressaltaram ainda que o sentido do toque continua a ser o sentido mais subestimado em pesquisas comportamentais e que suas experiências sugerem que saudações envolvendo toque, como apertos de mão e beijo na bochecha, pode ter influência crítica sobre a nossa interação social de forma inconsciente.