Uns sentem uma indisposição gástrica, outros reclamam de uma dor na “boca do estômago“. Sem contar aqueles impressionados com um formigamento no braço ou falta de ar. Nos hospitais, a rotina adotada até há pouco tempo era a seguinte: o paciente chegava com uma dor, um desconforto no peito e era imediatamente internado. Permanecia até três dias no hospital e aí se concluía que aquilo não era nada. É assim mesmo: nem sempre a dor no peito é a primeira manifestação do infarto do miocárdio, doença que mata por ano no mundo cerca de 15 milhões de pessoas, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. No Brasil, as doenças cardiovasculares ocupam o segundo lugar entre as causas de morte. Nos hospitais, o índice de mortalidade por infarto ainda é alto, entre 10% e 15%.

Com tais números, essas doenças já podem ser consideradas um problema de saúde pública de grandes proporções. Uma das formas que os hospitais têm encontrado para fazer com que o infarto do miocárdio ? uma das principais causas dessas moléstias ? seja agilmente diagnosticado são as Unidades de Dor Torácica (UDTs). Em Curitiba, no Hospital Pilar, por exemplo, o serviço está localizado junto ao Pronto Atendimento Cardiológico. O cardiologista Marcos Augusto Alves Pereira, chefe do serviço, salienta que essa filosofia de atendimento tem por objetivo agilizar o diagnóstico de doença cardíaca, ?separando os sinais que indicam problemas cardíacos daqueles que não são?.

Rapidez e eficácia

O especialista adverte que qualquer dor acima da cintura pode ser sinal de infarto, desde que a pessoa vitimada tenha algumas características, como homens acima de 35 anos, mulheres acima de 40 anos, obesos, sedentários ou que tenham sofrido algum desconforto ao praticar alguma atividade física que exigiu certo esforço. ?O humorista Bussunda é um exemplo característico?, lembra Marcos Pereira. Porém tais dores, irradiadas ou não, podem indicar indisposições gástricas, lombalgias, ou ansiedade, entre outros desconfortos, já que nessa região se localizam ossos, músculos e enervações sujeitos às dores. Até mesmo ao realizar uma atividade física a pessoa pode sofrer uma distensão que pode, muitas vezes, simular uma dor coronariana. ?Dessa forma, qualquer tipo de dor deve ser prontamente investigada e diagnosticada?, reafirma o médico.

Assim, quanto mais rápido o diagnóstico, seja infarto ou não, maior a chance de tratamento, inclusive de sobrevivência, de acordo com as condições do paciente. Dessa forma, a UDT age rapidamente como uma espécie de triagem, separando os pacientes por gravidade, por meio de uma avaliação detalhada orientada por protocolos de conduta estabelecidos em consenso por especialistas, podendo, até mesmo, evitar um internamento desnecessário. Caso o diagnóstico seja de infarto do miocárdio ou o risco de morte, o paciente é imediatamente transferido para a unidade coronariana para receber o tratamento de urgência.

Como um considerável número de pacientes com dor torácica não apresenta doença do coração, a triagem das UDTs possibilita uma redução de até 30% no custo final do atendimento, além do não internamento possibilitar um tratamento muito mais rápido e eficaz ao paciente, agindo direto na causa da dor. Os especialistas costumam dizer que há dois tipos de dores, a dor coronariana e as outras. Com os outros tipos de dores há tempo para diagnosticar a sua origem. Já na dor coronariana é preciso agir rapidamente. Nesse caso, tempo é vida.