As mulheres se perguntam como era possível mensalmente, transformarem-se em outras pessoas ao serem afetadas pela tensão pré-menstrual (TPM).

Para uma mulher, talvez, o questionamento maior seja confirmar que passou por uma crise momentânea, na qual seguiu vítima de vários transtornos e que justificaram tudo que tinha feito ou sentido.

Não é fácil saber lidar com essas mudanças do corpo feminino. Foram precisos muitos anos de estudos, conhecimento de vários tipos de tratamento para dominar e saber lidar com isso.

As piadas sobre o tema são inúmeras. Uma diz que a natureza é pródiga, pois se a mulher tivesse TPM todos os dias, o homem já tinha desaparecido da face da Terra.

Preocupada com o tema, a ginecologista e mastologista Nara Mattia repassa algumas dicas de como os homens poderiam administrar essa fase da mulher e tornar a sua vida muito mais fácil.

Para a especialista, o primeiro passo talvez seja o de compreender a síndrome, esse conjunto de sinais e sintomas que aparecem na segunda fase do ciclo menstrual e que cessam completamente até o final da menstruação.

“Ainda não se sabe o motivo exato ou a razão de casos mais graves, apenas que existe uma combinação de fatores, como genética, alimentação, fatores psicológicos e alterações hormonais que levam ao distúrbio”, reconhece. Os sintomas podem durar de 2 a 15 dias (dependendo de cada mulher), e em graus variáveis atinge 80% de todas as mulheres.

Tipos de TPM

Quando perguntados, 52% dos homens acreditam que sua mulher apresenta algum sintoma da síndrome. De acordo com a especialista, normalmente esses sintomas se agrupam em cinco tipos específicos que indicam ao médico qual hormônio pode estar envolvido no problema.

Um deles, o tipo A, o principal sintoma é a ansiedade, porém, podem aparecer a agressividade, irritabilidade, tensão nervosa e uma sensação de estar “no limite”. Já no tipo H, prepondera à retenção hídrica, sendo comuns as alterações físicas, como o inchaço, volume no abdome, dores mamárias e ganho de peso.

A tensão pré-menstrual do tipo C tem na cefaleia (dor de cabeça) a sua maior inimiga, se destacando dos demais sintomas. “As mulheres acometidas por ela, podem, também, apresentar fadiga e o aumento de apetite. Nesses casos a procura pela ingestão de doces é maior”, explica a médica.

No casos de TPM do tipo D, a depressão é o sintoma mais recorrente, podendo estar associada à insônia, ao choro fácil, ao desânimo e ao esquecimento. Além desses, também é identificada a síndrome do tipo mista que apresenta vários dos sintomas anteriores e outros distúrbios, como gastrointestinais, acne e, até mesmo, dores nas costas.

Não é doença

A especialista explica que, geralmente os sintomas da TPM aparecem de sete a dez dias antes da menstruação e desaparecem poucos dias após o início da mesma.

A intensidade dos sintomas classifica o transtorno em três estágios: leve, moderado e severo. O ginecologista Carlos Alberto Petta esclarece que a forma mais severa do distúrbio é conhecido como Síndrome Disfórica Pré-Menstrual (SDPM) e apresenta impacto negativo na qualidade de vida da mulher.

“O diagnóstico é confirmado quando a paciente apresenta cinco sintomas físicos ou emocionais, sendo um deles obrigatoriamente emocional, em pelo menos sete ciclos dos últimos 12 meses”, avalia.

Não há dados brasileiros oficiais, mas, nos Estados Unidos, estima-se que em tordo de 4,5 milhões de mulheres sofram com o distúrbio, sendo que 90% sem tratamento ou diagnóstico.

A síndrome está relacionada com o aumento dos gastos com saúde e motivo frequente para a visita ao médico e ausência no trabalho. Por seu lado, Nara Mattia lembra que TPM não é uma doença, mas um estado caracterizado por conjunto de sinais e sintomas.

“Nos casos mais severos, de tão transtornadas, as mulheres podem cometer atos de agressividade contra qualquer pessoa, como colegas de trabalho, marido, filhos, familiares e amigos”,, observa.

Análise individual

Na opinião da ginecologista, combater o estresse e manter hábitos saudáveis contribui bastante para atenuar os efeitos da síndrome. Caminhadas regulares e a prática de esportes, além de promoverem o bem-estar e a saúde, melhoram o fluxo sanguíneo, eliminam líquidos e reduzem o estresse, situações que ajudam a agravar o problema.

Para os médicos, um fator preocupante é que a maioria das mulheres ainda vê a síndrome como um problema corriqueiro e inevitável, e muitas até não admitem que sofram do distúrbio.

“A TPM é comum, mas se a mulher não está conseguindo conviver com ela, o melhor é procurar auxílio médico”, alerta a médica. Para tratar do problema, antes de qualquer atitude deve-se consultar um especialista, pois o distúrbio que varia de mulher para mulher. Só uma análise individual pode indicar o tratamento adequado.

Além disso, mudanças no estilo de vida e nos hábitos alimentares também são muito importantes para enfrentar o problema. Especialistas recomendam que a mulher beba bastante água e evite doces, além de alimentos gordurosos e ricos em sal. Além disso, a prática de alguma atividade física pode ser benéfica. “Manter distância de café, cigarro e álcool também é essencial”, completa a ginecologista.

Sintomas físicos

* Fadiga
* Dor de cabeça (cefaléia)
* Inchaço nos pés e nas mãos
* Dor nas mamas
* Distensão abdominal
* Cólicas
* Alteração do apetite
* Alteração do sono (aumento do sono ou insônia)

Sintomas emocionais

* Irritabilidade
* Depressão ou desespero
* Ansiedade e tensão
* Tristeza repentina
* Choro
* Oscilações súbitas de humor
* Dificuldade de concentração
* Baixa auto-estima
* Desinteresse nas atividades habituais
* Falta de energia
* Dor nas articulações e nos músculos