Qual mulher nunca se sentiu em uma “montanha russa” de sentimentos, principalmente no período pré-menstrual? Algumas até chegam a ser motivo de piadas entre os homens.

É só dar uma ordem com voz mais ativa ou enérgica para ouvir os comentários maldosos: “deve estar de TPM”. O fato é que cada mulher, a seu modo e ritmo, lida com algum tipo de alteração emocional na fase que antecede a menstruação – algumas com mais intensidade que as outras.

Como os sintomas não escolhem lugar, apenas hora, para se manifestarem, lidar com esse mal no ambiente corporativo pode ser um desafio e tanto, principalmente quando a mulher atua em cargos de evidência confiança e liderança.

O Journal of Occupational and Environmental Medicine, periódico americano que publica estudos relacionados à saúde no trabalho, divulgou uma pesquisa que traçou uma análise do desempenho profissional das mulheres no período de TPM.

Segundo o estudo, as que sofriam os sintomas faltavam duas vezes mais ao trabalho por mês do que as outras. Além disso, nessa fase, a produtividade caía mais da metade, e o índice de baixo desempenho permanecia na média de 7,2 dias por mês.

Influências hormonais

Ao analisarmos a participação das mulheres nos cargos de liderança no Brasil, correspondente a 24% em 2011 – segundo o estudo Grant Thornton International Business Report, uma pesquisa trimestral com as opiniões de executivos – direcionamos o contexto para duas constatações: uma é de que elas estão cada vez mais no comando. A outra, é de que precisam estar, em maior proporção, atentas aos sinais da TPM para continuarem firmes nesses postos.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas e do Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva da mesma cidade, mostrou que o problema é “comum” entre as brasileiras.

Das 860 entrevistadas, com idade entre 18 e 35 anos, aproximadamente 80% delas, sofrem ou já sofreram com os efeitos da tensão pré-menstrual. O ginecologista Leopoldo Cruz Vieira afirma que a síndrome não tem cura, mas pode como ser controlada, causando mínimos efeitos.

“Não há um tratamento específico, mas existem algumas formas de prevenção, entre elas, cuidar da alimentação, controlar o estresse, tomar pílula anticoncepcional com orientação e acompanhamento médico”, explica.

Para o especialista, além disso, é fundamental que a mulher pratique alguma atividade física aeróbica, no mínimo quatro vezes por semana, durante 30 minutos.

A tensão pré-menstrual é causada por um conjunto de influências hormonais normais durante o ciclo menstrual e que interfere no sistema nervoso central. A causa não é definida, mas há uma tendência a relacioná-la à progesterona que atua no cérebro alterando seus neurotransmissores.

“Os sintomas mais comuns são irritação, tristeza, mudanças de humor e cólicas. Outro fato importante, a disfunção é uma doença reconhecida e catalogada, e possui mais de 150 sintomas”, completa o ginecologista.

Liderança

De acordo com os especialistas na área, ser um líder é, principalmente, direcionar a equipe nas realizações das atividades; descobrir soluções estratégicas para determinados problemas; incentivar e estimular colaboradores; guiar o grupo para novas conquistas.

Até aqui, nenhuma novidade. Acrescente a todas essas capacitações a de ser uma líder no período pré-menstrual, especificamente, ser tudo isso para a equipe e ainda ter controle ante ao mix de emoções e dores no corpo, alguns dos sintomas da síndrome.

Christian Barbosa, especialista em gerenciamento do tempo e produtividade, afirma que a mulher pode “pular” ,os dias da TPM. “Basta que ela trace um planejamento das suas atividades, deslocando aquelas que exigem maior concentração ou iniciativa para os dias em os sintomas da síndrome tiverem desaparecido”, observa.

O consultor explica que a intenção é deixar a semana que antecede a esse período o mais livre de urgências possíveis, assim, ela evita as situações de altos picos de estresse.

O especialista comenta que se ela for uma líder, esse método pode ajudar também na hora de distribuir as reuniões do mês, já que alguns encontros, com clientes e outros gestores da empresa, pode ser maçante.

Barbosa esclarece que esses são alguns métodos que podem ser aplicados para as mulheres executivas driblarem os sintomas, mas nenhum é tão efetivo quanto o autocontrole.

TPM não tem cura, mas tem controle. Porém, para as mulheres que estão nos cargos de liderança e passam por situações extremas durante o expediente, esse domínio pode ser mais difícil.

Pílula anticoncepcional, uma aliada

O uso de contraceptivos para tratamento dos sintomas emocionais e físicos associados à tensão pré-menstrual já está consolidado. As pílulas anticoncepcionais modernas contêm menores doses de hormônios em comparação com as suas primeiras versões, lançadas na década de 1960.

Recentemente, em um estudo clínico com 450 mulheres com idade entre 18 e 40 anos e diagnóstico confirmado da síndrome, apontou que quase a metade das pacientes que tomaram o anticoncepcional combinado teve redução dos sintomas severos. Além disso, o uso contínuo da pílula melhorou significativamente o humor, o comportamento e os sintomas físicos.

O ginecologista Carlos Alberto Petta explica que as pílulas mais avançadas agem combatendo uma das principais causas da TPM, a flutuação hormonal, ou seja, o aumento ou diminuição dos hormônios a cada ciclo menstrual e durante o próprio período ciclo.

De acordo com o especialista, a ação do contraceptivo ajuda a diminuir a retenção de líquido, evita as cólicas, inchaço e aumento de peso, além de melhorar os sintomas emocionais, como irritabilidade e depressão.

Sintomas emocionais

* Irritabilidade

* Depressão ou desespero

* Ansiedade e tensão

* Tristeza repentina

* Choro

* Raiva e fúria

* Oscilações súbitas de humor

* Dificuldade de concentração

* Baixa auto-estima

* Desinteresse nas atividades habituais

* Falta de energia

* Dor nas articulações e nos músculos