A boa notícia vem se repetindo cada vez mais: cresce o número de casais que procuram as técnicas de reprodução assistida para realizar o sonho de ter filhos. A situação antiga, em que era preciso, primeiro, superar o preconceito existente para depois buscar auxílio médico especializado e passar pelos tratamentos disponíveis, deu lugar à confiança de se optar por um método avançado que ajude na reprodução. Eles passam por inseminação artificial, fertilização in vitro com transferência de embriões, congelamento de óvulos e/ou espermatozóides, além da vitrificação, técnica especial de congelamento de óvulos e embriões para futuros procedimentos.

Ter um filho faz parte dos sonhos de quase todos os casais. Quando esta magia por algum motivo não se realiza, sobram traumas para o resto da vida. No entanto, por enquanto, os métodos de reprodução assistida não são pagos pelo SUS e nem são cobertos pelos planos de saúde, situação que torna o procedimento inacessível para muitos casais. Pensando em preencher essa lacuna, o Serviço de Reprodução Assistida do Hospital Santa Cruz, de São Paulo, passa a oferecer um programa que reduz em até 50% os custos do tratamento de reprodução assistida para os casais que comprovadamente não têm condições financeiras para bancar o tratamento. O projeto, uma parceria com um laboratório suíço especializado na produção dos medicamentos usados durante o procedimento, está disponível, primeiramente, nas cidades de Curitiba e Belo Horizonte. Apenas cinco instituições no País fazem parte do projeto, entre elas o Hospital Santa Cruz.

?O casal escolhe a clínica onde deseja se tratar e faz um cadastro. Em seguida, passarão por exames e especialistas investigarão se o casal necessita mesmo da reprodução assistida. Caso exista a indicação para o procedimento, o casal recebe a receita médica e o cadastro será enviado para a empresa, que faz a analise dos dados?, explica o médico responsável pelo Embryo – Serviço de Reprodução Humana do Hospital Santa Cruz, Marcelo Cequinel. A renda mensal do casal não pode ultrapassar a R$ 5.150,00 (cinco mil, cento e cinqüenta reais). Após a aprovação, os pacientes recebem um código e automaticamente a clínica e os revendedores de medicamentos também receberão a liberação para o tratamento.  Se o procedimento não tiver o resultado esperado, o casal poderá repeti-lo sem necessitar fazer novo cadastro, na mesma clínica ou em qualquer uma que faça parte do programa. No Hospital Santa Cruz, é crescente o número de casais que aderiram ao projeto e iniciaram o tratamento.

Reverter é possível

Conforme Marcelo Cequinel, antes de começar qualquer tratamento, o casal passa por uma bateria de testes e exames para avaliar suas condições de saúde. A partir daí são analisados quais os métodos mais compatíveis para o tratamento de reprodução assistida. ?É importante lembrar que infertilidade não é uma doença, mas um sintoma de que algo está errado com um ou ambos os parceiros?, explica. De acordo com o médico, para chegar a um diagnóstico correto é preciso investigar a raiz do problema, analisando todas as possíveis causas. ?Só assim é possível administrar o tratamento ideal?, completa.

Para César Augusto Cornel, ginecologista especializado em reprodução humana, a idéia de não ser capaz de reproduzir pode causar um certo grau de tensão emocional, angústia e medo. No seu entender, a melhor atitude a ser tomada é manter a calma, não se culpar e, principalmente, manter a expectativa de reversão do quadro, por meio das novas técnicas. ?Hoje, o sucesso dos tratamentos atinge mais de 90% dos casos?, garante.

O Brasil tornou-se uma referência na área, atendendo pacientes até do exterior. ?Estamos equiparados com os grandes centros mundiais de reprodução humana, apresentando, muitas vezes, índices de sucesso superiores aos obtidos no exterior?, afirma. O médico cita a fertilização in vitro como uma das técnicas que mais avançou. ?Não só o procedimento em si foi aprimorado, como técnicas auxiliares foram criadas para aumentar as taxas de gravidez e a qualidade dos embriões implantados?, destaca Cornel. Com efeito, as novas técnicas possibilitam que mulheres com mais de 40 anos possam desenvolver gestações mais seguras e com bebês mais saudáveis.

Conheça alguns avanços da reprodução assistida

Coleta de óvulos – Através do ultra-som, sob sedação. Pouco invasivo, sem internação. Apresenta baixo risco.

Diagnóstico Precoce de Doenças Cromossômicas ? Hoje é possível. Doenças cromossômicas, como a síndrome de Down, podem ser diagnosticadas precocemente.

Gestações múltiplas – É feita uma avaliação da qualidade dos embriões. São transferidos somente os melhores (1 ou 2).

Vasectomia – A técnica de injeção intracitoplasmática consegue resolver o problema.

Fatores imunológicos ? Estudos verificam a existências desses fatores para os casos de repetidos tratamentos malsucedidos.

Índices estimativos de sucesso em pacientes submetidas à reprodução assistida

Mulheres com menos de 37 anos de idade: 42%.

Mulheres com idade entre 37 anos e 40 anos: 28%.

Mulheres com mais de 40 anos: 15%.