A surpresa aconteceu quando Tânia iniciou seus exames de pré-natal no Hospital Universitário Evangélico de Curitiba (HUEC): ao invés de uma irmãzinha para seu até então único filho, Gabriel, de cinco anos, três meninas estavam a caminho. Como era de se esperar, a gravidez se tornou de alto risco e a dona de casa teve que passar por um acompanhamento mais freqüente durante o pré-natal. Mas, Júlia, Bianca e Gabriela se apressaram para vir ao mundo ? chegaram com mais de um mês de antecedência, por isso tiveram que permanecer alguns dias na UTI neonatal do hospital. Agora, já em casa, dão bastante trabalho, mas se tornaram as princesas da família.

Casos de trigêmeos não são tão freqüentes, mas, dos mais de 350 partos realizados mensalmente no Evangélico, perto de 90% são de alto risco, aqueles em que a saúde da mãe ou do bebê corre perigo. Não é por acaso que o hospital se tornou referência no atendimento de gestantes nessas condições. ?Dispomos de 40 leitos de alojamento conjunto e 17 leitos de centro cirúrgico obstétrico?, comenta Augusto Fernando Beduschi, chefe do Serviço de Obstetrícia do HUEC, salientando que o atendimento humanizado e o avanço tecnológico são as principais características do serviço.

Equipe multidisciplinar

Segundo o obstetra, são consideradas gestantes de risco as mulheres com idade inferior a 18 anos ou maiores de 37 anos. ?Outras que requerem cuidados especiais são as portadoras de doenças importantes como, diabetes, hipertensão e cardiopatia?, frisa.  Além das gestantes que fazem o acompanhamento pré-natal no próprio hospital, o HUEC recebe pacientes de risco de outros hospitais, inclusive de cidades de outros estados.

Cabe salientar que a instituição é certificada como Hospital Amigo da Criança, título outorgado pela Unicef e Ministério da Saúde aos serviços que possuem banco de leite humano, alojamento conjunto, parto humanizado e índice de cesárea menor de 35%, no alto risco e, 25% no baixo risco.

Os bebês atendidos na UTI neonatal do hospital (na sua maioria conveniados ao SUS), têm o apoio de modernas técnicas de diagnósticos e tratamento, inclusive recebendo os benefícios da terapêutica com óxido nítrico, para tratamento de uma doença grave no recém nascido que é a hipertensão pulmonar. ?Atualmente dispomos de 15 leitos de UTI neonatal e mais 15 leitos de unidade de cuidados intermediários neonatal e, neste ano mais oito leitos serão inaugurados?, acrescenta Evanguelia Athanásio Shwetz, chefe do Serviço de Terapia Intensiva Neonatal do hospital.

Mãe-canguru

Um dos programas em andamento no Hospital Evangélico, dentro do atendimento aos recém-nascidos na UTI neonatal, é o método mãe-canguru, um programa voltado para bebês prematuros, reconhecido pelo Ministério da Saúde. ?O atendimento humanizado faz com que os pais e a família participem ativamente do dia-a-dia do bebê, colaborando para a sua recuperação?, enfatiza Evanguelia Shwetz.

A intenção é fazer com que o bebê fique em contato com a mãe o tempo todo, chegando, muitas vezes, a substituir o uso de incubadora. De acordo com a especialista, esse contato direto com o corpo da mãe faz com que a temperatura corporal se mantenha e favorece os laços afetivos entre mãe e filho. A médica cita outras vantagens do método: a diminuição do tempo de internação, o estímulo ao aleitamento materno e a minimização dos riscos de infecção, já que o programa ajuda a promover altas hospitalares mais precoces.