Em plena segunda década do século 21, o Brasil continua sendo um país de contradições. Apesar de abrigar um dos principais centros de pesquisa em biomedicina do mundo, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o país registra a maior endemia de esquistossomose do mundo – uma doença parasitária própria de áreas sem saneamento básico e que chegou ao Brasil no tempo do tráfico de escravos.

Depois de mais de 30 anos de pesquisa, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC, ligado à Fiocruz) anuncia a criação da vacina contra a doença. É um feito histórico: em vez de comprar tecnologia, o Brasil vai vender e em vez de tratar a doença com remédio, a saúde pública vai poder prevenir com a vacina.

A Agência Brasil entrevistou a médica Miriam Tendler, especialista em doenças infeccionsas e parasitárias e pesquisadora chefe do Laboratório Esquistossomose Experimental do IOC onde a vacina foi desenvolvida. Na entrevista, a médica falou sobre os testes realizados no Brasil e a importância do desenvolvimento de uma vacina segura. “Ela [a vacina] não deu reações. É uma vacina segura, e essa segurança é o maior atributo de uma vacina”, disse.