Todo processo de dor percorre um caminho no nosso organismo. Ela segue pelas terminações nervosas locais, passa pela medula espinhal e vai ao cérebro, que registra a sua intensidade, a sua localização e a sua característica.

“A dor pode indicar dano, doença ou perigo, por isso, devemos dar a devida atenção a esse mecanismo de alerta do nosso organismo”, afirma a médica Lin Tchia Yeng, especialista em Medicina Física do Hospital das Clínicas/Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Segundo a pesquisadora, de uma forma simplificada, há dois diferentes tipos de dor: a aguda (mais rápida) e a crônica (lenta). Ambas possuem um trajeto pelo sistema nervoso do local da dor até o cérebro.

Após o estímulo da dor, o neurônio afetado passa um pulso elétrico em direção à medula espinhal. O impulso passa por um orifício entre ossos e cartilagens da coluna, conhecido por forame, para alcançar a medula e daí segue a regiões do cérebro.

Em ambos os casos, os estímulos dolorosos da medula espinhal vão sensibilizar duas regiões distintas do cérebro: o mesencéfalo, responsável por localizar a dor; o tálamo relacionado à sensação da dor.

A velocidade da dor tem relação direta com os tipos de fibras nervosas. “Um dos aspectos interessantes nesse processo é a velocidade da transmissão dos impulsos responsáveis pela sensação da dor, que chega a mais de 400 km/h”, ressalta Lin.

Fibras nervosas

Com uma velocidade entre 1,8 e 7,2 km/h, a fibra C, uma das fibras nervosas está relacionada à sensação de dor crônica. Os estímulos dolorosos podem ativar os nociceptores, as terminações nervosas livres e as fibras em forma de espiral, que podem ser acionados por pressão, ou seja, de várias origens e características, e estão relacionados aos estímulos nocivos mecânicos e químicos presentes no tecido.

As fibras A são particularmente sensíveis ao estímulo agudo e sua velocidade de condução pode alcançar a 108 km/h. Por ser rápida, ela está relacionada à sensação momentânea de dor.

Em relação à Fibra A, existem mais dois tipos de fibras nervosas importantes que se relacionam com a dor, mas não a transportam. A fibra A beta, responsável pela sensação de toque em todo o corpo, cuja velocidade de transmissão de impulsos chega a 270 km/h.

Em algumas situações na dor crônica, quando existe lesão dos nervos, essa fibra pode provocar dor de forma totalmente anormal. Isso significa que estímulos que normalmente não provocariam dor, como tecido de roupa, tocar a pele e golpe de ar, podem causá-la.

Outra espécie de fibra, a A alfa consiste na mais rápida de todas, podendo transmitir impulsos nervosos a velocidade de 432 km/h. É responsável pelas informações presentes nos músculos, ligamentos e articulações, ou seja, o senso da posição do corpo no espaço. “Em dor crônica, essa fibra perde a capacidade de funcionar corretamente”, resume a especialista.

Incapacitantes

Entre os tipos de dor, a aguda ocorre quando cortamos a pele, nos queimamos ou outras lesões teciduais. Um exemplo de dor crônica, citada pela médica, é a fibromialgia, condição dolorosa generalizada que aumenta a sensibilidade dos pacientes de tal maneira que, para eles, até um simples e prazeroso carinho, dói.

No caso da fibromialgia, em que não ainda se conhecem as reais causas, os estudos sugerem que há um aumento exagerado de sensibilização do sistema nervoso central, com amplificação dos estímulos dolorosos.

A elevação exacerbada desses estímulos pode estar relacionada à perpetuação da dor, que se torna crônica. “Entre seus sintomas, há contínua dor em corpo todo, fadiga e sono não reparador”, observa Lin.

Outro tipo de dor bastante comum e incapacitante é a dor neuropática, que ocorre quando há lesões de estruturas ,nervosas do sistema nervoso periférico e central. Entre os diferentes sintomas, existem alguns que sugerem a presença de dor neuropática, como dor em queimação, choques, formigamento e pontadas, relacionada ao incômodo causado pelo simples toque de um lençol, roupa ou pela água do chuveiro.

Um diagnóstico correto da causa da dor e os tratamentos adequados são fundamentais para o tratamento dos sintomas. Atualmente, as pessoas com dor crônica como fibromialgia e dor neuropática podem diminuir a dor e o sofrimento com acompanhamento médico e abordagens multidisciplinares apropriadas.

A pregabalina, uma das mais recentes descobertas, é um anticonvulsivante que atua diminuindo a sensibilização do sistema nervoso central e possui atuação eficaz e rápida.

As dores mais frequentes

* Dor de cabeça
* Dor nas costas e coluna
* Dor muscular
* Cólicas menstruais
* Dores em geral
* Enxaqueca
* Dores relacionadas a resfriados
* Dor/inflamação nas juntas
* Dor de dente

Investigação e identificação

Causa – algum fato que tenha provocado o surgimento do problema

Duração – há quanto tempo o incômodo é sentindo

Intensidade – se é forte, fraca, moderada

Extensão – localizada ou generalizada
Apresentação – uma queimação, uma facada, um latejamento

Agravantes e atenuantes – o que piora e o que melhora o quadro, os horários de maior e menor intensidade

Doenças preexistentes – quais doenças o paciente tem ou teve

Medicamentos – remédios em uso