Imagine olhar para um gramado e vê-lo todo azul. Ou para um arco-íris e não reconhecer as cores desse espetáculo da natureza. A maioria das pessoas nunca pensou nisso, mas é assim que uma pessoa daltônica enxerga o mundo. O que para a maioria das pessoas não passa de uma rotina, para um daltônico pode se tornar um motivo de complicada adaptação quando não de constrangimento. Escolher uma roupa para vestir, identificar os sinais de trânsito ou diferenciar o uniforme do seu time de futebol na televisão podem ser atividades bem pouco triviais, para quem não consegue identificar cores ou a variação entre elas.

O daltonismo, conforme Otávio Siqueira Bisneto, oftalmologista do Hospital de Olhos do Paraná, é uma condição transmitida geneticamente e de maneira bastante peculiar, já que as anomalias são herdadas num padrão recessivo. ?Isso quer dizer que aparecem quase que exclusivamente em homens?, explica. As mulheres podem ser portadoras do gene, mas nelas a doença quase não se manifesta. Nos seus filhos, no entanto, a anomalia tem 50% de chances de se manifestar.

Vida normal

No fundo do olho existem fotorreceptores, células que recebem, transportam e enviam a informação luminosa ao cérebro. Na região central da visão prevalecem os cones, que são responsáveis pela percepção de cores e possuem pigmentos visuais distintos para as três cores primárias: vermelho, verde e azul. ?Os daltônicos possuem defeitos nesses cones, o que os faz perder a capacidade de identificá-las total ou parcialmente?, diz Bisneto.

O olho daltônico enxerga de 500 a 800 cores, ao passo que um olho perfeito vê de cinco a oito mil cores. O oftalmologista Sérgio Morello Júnior explica que essa característica pode ser identificada quando criança, mas é bastante comum que a pessoa só perceba na adolescência, e, em alguns casos, passe a vida toda sem saber. O daltônico leva uma vida normal e pode desenvolver até mesmo habilidade para pintura. Apenas é limitado para exercer algumas profissões onde o uso das cores se torna uma ferramenta imprescindível.

Mesmo assim, o daltonismo não é considerado uma doença debilitante, apesar de dificultar algumas atividades profissionais ou de lazer. ?Um daltônico nunca poderá ser piloto de avião, engenheiro elétrico ou eletricista, por exemplo,? diz Otávio Bisneto. Por outro lado, contam que os daltônicos foram muito requisitados em guerras para encontrar pontos camuflados. Isso acontece porque, mesmo com dificuldades de identificar as cores, eles possuem excelente capacidade de perceber a diferença de profundidade das imagens. ?É importante lembrar que o distúrbio não interfere na visão nem indica que a capacidade visual desse indivíduo esteja comprometida?, completa o especialista.

Teste de Ishihara

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Pessoas com visão normal enxergam o número 8. Pessoas com distúrbio para visão das cores verde e vermelha enxergam o número 3. Pessoas com cegueira total para cores não enxergam nada.

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A maioria dos daltônicos com dificuldade para distinguir o verde e o vermelho enxergam o número 5. Pessoas com visão normal ou com cegueira total para cores não distinguem nada.

Formas de daltonismo

Tricromatas – Podem ter dificuldade para enxergar o verde e suas nuances. Em casos mais raros, o vermelho e o azul, sendo o último mais raro. Daltônicos tricromatas têm dificuldade para diferenciar tonalidades de uma mesma cor e cores próximas.

Dicromatas ? São daltônicos que confundem duas cores primárias. Eles misturam o verde e o vermelho (e vice-versa). Em casos mais raros confundem azul com as outras cores básicas.

Acromatas ? São os mais incomuns. Enxergam apenas preto, branco e tons de cinza. Incide em um entre cada 300 mil pessoas.