Com a popularização da internet a partir dos anos 2000, nós brasileiros experimentamos a liberdade da informação veloz através das redes sociais. Milhões de informações em um clique aparecem aos nossos olhos diariamente trazendo das mais diversas notícias, dicas, entre outros conteúdos, inclusive os distorcidos da realidade.

Você já deve ter ouvido o seguinte termo: “Fulano é especialista (em um determinado tema), o especialista de facebook”. E com as brigas polarizadas da política partidária no país, isso ficou ainda mais latente.

O Brasil é um país jovem, ainda em processo de aprendizado em termos de liberdade e sociedade, infelizmente ainda deve bater muita cabeça até entender que defender um dos lados só atende aos interesses deles e não da sociedade.

A economia de uma país é muito mais do que lutar por um lado ou culpar apenas um ator político social. Vivemos em um mundo globalizado e por isso os preços são influenciados por diversos fatores da macroeconomia.

Desta forma, para que possamos crescer em conteúdo e deixarmos de ser especialistas apenas de frases curtas de redes sociais, hoje quero te trazer algumas reflexões sobre o por que as coisas estão tão caras, e se realmente estão caras.

LEIA TAMBÉM: Oito dicas para economizar no supermercado.

Preço da gasolina:

Imagem de andreas160578 por Pixabay

É fato real que o preço da gasolina, em termos nominais, é o maior em 20 anos; nunca o Brasil viveu um valor tão alto deste que é o combustível mais consumido em nosso país. São 28% de alta nos últimos meses, chegando a um valor médio de R$5,955 segundo a ANP (Agência Nacional de Petróleo). No Acre, Rio de Janeiro e Rio Grande o Sul há informações que o preço chegou a ser vendido em postos de combustível a mais de R$7.

E, por que os combustíveis estão tão altos? Vamos as reflexões…

  • A gasolina é derivada do petróleo, assim como o diesel, GLP (famoso gás de cozinha) e o querosene.
  • Petróleo é um produto natural, desta forma tem características econômicas de escassez natural, inclusive considerado como reserva de valor para alguns especialistas (há estudos que indicam que em 40 anos não teremos mais petróleo no mundo).
  • Portanto, há fatores globais que impactam o preço do petróleo:

Fator 1) Reunião da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo com os 13 principais produtores do mundo). Nessa reunião eles decidem preço, política de produção, entre outros. Além disso, se um desses países da OPEP estão sobre forte influência de guerra, também é afeta o preço.;

Fator 2) Reservas de petróleo em pouca ou plena produção, ou até mesmo a descoberta de algum poço de petróleo, reflete na demanda.

Fator 3) Fatores ambientais como vazamento de petróleo, clima muito frio, entre outros, também influenciam.

Fator 4) Escândalo de corrupção nas empresas produtoras ou refinadoras de petróleo também é um fator bem importante que afetam os preços.

Esses são alguns dos fatores globais que impactam o preço do petróleo, mas o que isso tem a ver com a gasolina?

A formação do preço da gasolina, de forma direta, passa pelo custo de produção estimado em 31% do valor total (incluindo o petróleo); Impostos federais aproximadamente 10% e 28% de impostos estadual (ICMS), além da adição de etanol no importe de 15% do valor e o custo de distribuição e revenda cerca de 16% do valor. É óbvio que indiretamente existem outros custos, mas esses são os mais importantes para você, caro eleitor, entender toda reflexão.

Hoje o processo de refinaria do Brasil é indiretamente monopolizado, mesmo que tenha legislação dizendo que não, na prática as questões macros definem para isso. Então, se algum dia alguém falar para ti em monopólio ou não, há argumentos para os dois lados, mas infelizmente se você puxar para um lado, estará errado.

Fora do Brasil o valor médio da gasolina custa U$1,20, já no Brasil o valor é de U$1,10. Portanto, o preço da gasolina no Brasil é barato em comparação a média mundial. (Curiosidade: em países com problemas econômicos ou subdesenvolvidos, o preço médio é bem mais baixo do que isso, já em países desenvolvidos o preço é bem maior do que o aplicado no Brasil). Então, será que o problema é mesmo a gasolina?

O que tem assustado o brasileiro efetivamente, quando falamos em preço da gasolina, é a flutuação de acordo com o mercado externo, regra essa mudada em 2019 (antigamente era centralizado no governo e repassado os valores a cada 3 (três) meses, o que era bem ruim para as questões inflacionárias do nosso país). Então, essa questão de mudar a toda hora, foge do nosso costume, mas a longo prazo tende a ser o melhor para o nosso país.

Para afinar ainda mais a reflexão sobre preços, quero também colocar o preço da carne nessa discussão.

Preço da carne:

Foto: Felipe Rosa/Arquivo/Tribuna do Paraná

Assim como a gasolina, a carne também subiu de forma drástica nos últimos meses. O preço médio subiu 35,7% nos últimos 12 (doze) meses segundo o IBGE, ou seja, muito acima da inflação.

Para entender o aumento, a bola de neve tecnicamente chamada de “macroeconomia global”, você precisa ir além dos comentários das redes sociais, entender principalmente os fatores intrínsecos que refletem o preço.

Fator 1) Escassez da produção agropecuária: como o gado é uma produção de crescimento e engorda de longo prazo, há quem diga que o problema do valor iniciou em 2016/2017. Na época era muito caro para o produtor engordar e vender a carne, desta forma, era mais rentável para abater tudo inclusive as matrizes de produção, o que está refletindo exatamente nesses últimos 12 meses a falta delas.

Fator 2) Em 2018 surgiu a peste suína Africana que atingiu os países Europeus e Asiáticos. Os Asiáticos que consomem muito porco passaram a buscar novas fontes de proteína para alimentar sua enorme população, encontrando o Brasil um grande produtor de gados (virou agora consumidor desses).

Fator 3) Com a alta do dólar o produtor interno viu que era mais rentável exportar, pois os lucros seriam muito mais altos e ajudaria a recuperar os prejuízos de 2016/2017. Com a produção escoada para fora do país, a escassez interna aumentou, aumentando assim os preços.

Fator 4) Subiram em média 70% os custos de produção nos últimos meses: energia elétrica devido as estiagens, o aumento gasolina já explicado anteriormente, plástico, entre outros, o que também encarecem o produto.

Com os juros baixos ano passado e este ano, com a melhora no PIB, diminuição dos efeitos da pandemia em 2021, e com o crescimento das matrizes, a produção vem crescendo ao longo desses últimos meses, então espera-se para 2022 a oferta seja maior e o preço tenha uma melhora para o consumidor interno.

Além disso, os chineses também já estão recuperando a produção de suínos, inclusive criando algumas barreiras sanitárias para não mais depender de atores externos de produção como o Brasil, o que vai diminuir um pouco a exportação de gado para aquele país.

A reflexão é grande, apenas quis trazer a você leitor, a importância de continuar nessa sua trajetória de procurar conteúdos agregadores como este que trouxe aqui, e não só dos “especialistas de facebook”.

Não estou aqui querendo defender governos, muito pelo contrário, acredito que se em curto prazo de tempo conseguíssemos controlar a inflação, reduzir os juros, ampliar o mercado de trabalho e estabilizar a política dos poderes executivo, legislativo, judiciário, melhoraria muito o poder de ganho do brasileiro.

Devemos entender que são diversos os atores econômicos de uma sociedade, culpar um ou defender um, não ajudará em nada, o que devemos é produzir mais, escolher melhor TODOS os nossos representantes, e participar mais da política social do nosso país (política social e não defender ideologias).

Leia também: 12 dicas para economizar dinheiro no dia a dia.

Essas e outras reflexões fazem parte do meu Instagram do Amigo de Negócios, pois acredito muito que cada um de nós somos os responsáveis para uma sociedade mais justa e igualitária entre todos.

Meu nome é Marlon Roza, sou seu “Amigo de Negócios”.