Aprendemos na vida que debates não ocorrem por acaso, são motivados por fatos. A grama sintética da Baixada virou assunto nacional. A ela atribuem, a portentosa campanha que o Furacão faz em casa nesse Brasileiro.

Por empolgar, a questão não pode ter essa solução simplista. O debate tem que ir além, provocando uma outra questão: basta ter o costume de jogar em uma grama artificial para conquistar 82% dos pontos? Qualquer pessoa de bom senso, que conheça o mínimo de futebol, responderá: não! Não há nenhum fator que venha causar benefício em um time que não seja no mínimo razoável, estágio que no atual futebol deve ser considerado.

Os atleticanos ficam bravos. Não deveriam e há motivos. No mínimo dois relevantes: se a grama artificial não exerce uma influência absoluta, exerce alguma influência, sem precisar recorrer às teorias de Aristóteles sobre as diferenças entre natural e artificial. Acostumado a jogar nessa grama sintética, é razoável concluir que o Furacão tem capacidade de se adaptar mais rápido às condições do jogo. O outro motivo está escrito: há lei que autoriza o uso da grama sintética.

Autuori e os jogadores deveriam assumir o benefício dessa influência. Não diminui o brilhantismo da campanha, ao contrário, demonstra que há qualidade para não desperdiçar benefícios, que o futebol oferece.

Contra o Sport, na Baixada, o Atlético é o favorito. Além desse artifício legal, tem três fatores mais importantes: tem mais time, torcida e precisa ganhar.

Julgamento

O grande problema do Superior Tribunal de Justiça Desportiva é não manter a independência que tem por estatutos da Confederação Brasileira de Futebol. E tudo que tem relação com a CBF tem um componente de dúvida moral. Explica-se, assim, a causa do impacto negativo da decisão que tira o mando de jogo do Grêmio na final da Copa do Brasil.

A decisão, vista sob o princípio da legalidade, está absolutamente correta: o ingresso de qualquer pessoa sem credencial, no espaço do campo já é o bastante para punir. Para caracterizar a invasão, basta a presença da pessoa indesejada pela lei. E no fato concreto há uma agravante: Renato Gaúcho, técnico do Grêmio, foi quem chamou a filha para dentro do campo durante o jogo. E uma das penas para esse tipo de ilícito é a perda de mando.