A glória no futebol pode ser alcançada por várias rotas. Pode ser pelo casuísmo, aquele alienado ao imponderável, que não dá sustento a um campeão. A mais nobre é a do justo, que só é alcançada depois de um trauma na emoção.

O Clube Athletico Paranaense é campeão da Copa do Brasil. E não é um campeão qualquer. Jogando no Beira-Rio como se não tivesse o acaso, foi além do empate que lhe era o bastante. Para dar a exata dimensão do seu tamanho de campeão, subjugou o poderoso Internacional, derrotando-o por 2×1.

Só os grandes professores podem explicar essa vitória. O amigo Paulo Cesar Carpegiani, um craque histórico do Internacional, ensinou-me de que na ausência de craques, o jogo se transfere para o centro de campo. Daí, transforma-se em uma linha de montagem e ganha aquele que tiver o melhor modelo.

O Furacão ganhou do Colorado, na Baixada e no Beira-Rio, simplesmente porque foi moldado com mais inteligência para essa final. O jogo do Beira-Rio foi o resumo fiel dessa decisão da Copa do Brasil.

Atrás, mas sem medo, o Furacão fez o Inter beber, o que o escritor José Carlos Fernandes, o meu imortal, diz ser ‘doses de autoengano’. Os gaúchos colorados mais por força do que consciência, iludiram-se. Às vezes, a força não permite pensar. Bem por isso, desprezaram que em um dado momento, uma bola iria para o incrível Rony. Aconteceu. De Rony passando por Marco Ruben, a bola foi para Cittadini, que vindo de trás, marcou o 1×0.

Não obstante ser pressionado, o Furacão era tão consciente, que absorveu com naturalidade o gol de empate de Nico Lopez, 1×1. Foi no intervalo que o jogo foi decidido. Enquanto o Inter, por seu treinador Odair Hellmann, excluiu o meia Patrick, o Furacão, por Tiago Nunes, voltou como se tivesse na Baixada.

Com um 2º tempo mitológico, deu um banho nos gaúchos. O iluminado treinador Tiago Nunes, contrariando todos os dogmas, fez o Athletico dar o golpe final com, vejam só, Marcelo Cirino. E foi esse incrível Cirino, que em uma jogada pela esquerda, de letra, venceu a marcação. O seu passe pegou Rony, vindo de trás, para fazer o segundo gol. Foi o êxtase rubro-negro, o corolário perfeito que fez do Athletico um campeão do Brasil, mandando-o para a eternidade.

Rony foi o melhor em campo. Essa é uma coluna em homenagem a todos nós, atleticanos.