Esse filme os atleticanos já viram e se assustaram: o Furacão troca mais de mil passes, com 70% do jogo com a posse faz a bola dar a volta ao mundo, engole o adversário, mas, no final, perde o jogo. Um verdadeiro filme de terror, que foi lançado em 2018, na Baixada, com a produção de Mario Celso Petraglia, e direção do treinador Fernando Diniz.

O Athletico de Dorival Júnior está sendo assim. E ontem, na Vila Belmiro, tomando de 3×1 do Santos, em tudo e por tudo, foi assim: jogando avançado, trocando passes e posições, dava a impressão de supremacia.

Falsa impressão, porque tinha a bola, tinha o espaço, mas não criava chances de gol. E, sendo fiel ao antigo roteiro do filme, nas falhas individuais de Abner e Lucas Halter, permitiu que o Santos com Soteldo e Felipe Jonatan fizesse 2×0. Quando saiu o terceiro gol, o de Marinho, Cuca já tinha dado uma lição tática.

Como era com Diniz, esse esquema de Dorival não é para mortais. É que exige que o jogador vá além da natureza humana e seja absolutamente perfeito. Com as linhas avançadas e desorganizadas, qualquer equívoco isolado, que poderia ser compensado por cobertura, como nos erros de Abner e Lucas, deixa o adversário livre, escancarado na cara do goleiro Santos.

Ficaria surpreso se jogando o que jogou contra o Goiás despedaçado pelo vírus, o Furacão saísse da Vila Belmiro com um resultado que não fosse a derrota. O treinador Dorival, que testou positivo para o vírus, viu o jogo pela televisão. Honesto e consciente como é, deve estar refletindo sobre a falta de equilíbrio que torna vulnerável esse seu Athletico.

Previsão escura

Se o Brasileiro terminasse hoje, o Coritiba estaria de volta à segunda divisão. É possível que antecipar um futuro como esse, em tese, seria radicalizar a hipótese que o futebol é incapaz de absorver um determinado momento, em uma disputa longa, como é o Brasileiro. Ocorre que a tendência positiva ou negativa como método de previsão no futebol decorre dos números ganhos ou perdidos no campo.

A linha de defesa do G5 de Samir, que é a situação financeira anterior, está rompida. Se esse era o estado do Coritiba, entregar o talão cheque para Pastana gastar os “poucos” recursos com Sassá, Neilton e Renê Júnior foi irresponsabilidade.