Com tempo de vida, aprendemos que a coincidência de fatos negativos é uma autoproteção criada pelo ser humano para dar explicações a si próprio e aos outros. E então, a vida nos disciplina pela consciência de que nada acontece por acaso.

A INEPAR S/A até o início dos anos noventa foi o maior grupo industrial brasileiro nas áreas de construção de equipamentos de energia e telecomunicações. Sediada em Curitiba, era um orgulho do Paraná. Quando os seus projetos futuristas não foram absorvidos pelo mercado brasileiro, a sua queda foi inevitável.

Um dos seus sócios majoritários era Mario Celso Petraglia. Quando a INEPAR buscou restruturação para não ir à falência, obrigou-se a diminuir de tamanho.

Dos sócios majoritários, só Petraglia não quis carregar o fardo da reestruturação. Diante do estado quase falimentar da empresa, como uma espécie de abandono, preferiu ficar em Curitiba e buscar a consolidação da sua fortuna, usando um meio que satisfazia, também, o seu interesse de torcedor: ser dirigente do Clube Athletico Paranaense.

A sua presença física imponente, a notoriedade de poderoso junto a governantes e a sua mensagem futurista provocaram efeitos imediatos em humilhados sentimentos de arquibancadas.

Carente, a torcida não percebeu que aquele que se apresentava como Moisés não tinha túnica, não tinha barba e nem cajado. De 1995 a 2002, amparado diretamente pelo idealismo de atleticanos que estavam com ele (todos, mas, Ênio Fornea Junior e Ademir Adur, em especial), conseguiu ver implementada a base do projeto, que se tornou trânsito para os seus negócios: o Athletico grande e campeão.

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Para satisfazer essa sua motivação, fez o clube hipotecar todo o seu patrimônio, disponibilizar todos os seus ativos, e, depois, penhorar a Baixada para a construção de um estádio para a Copa de 2014. Seis anos depois, o Furacão tem todo o seu patrimônio indisponibilizado e dividas próximas de R$ 700 milhões (Fomento e Municipio).

Agora, Mario Celso Petraglia deixou a presidência do Athletico para ser o seu CEO. Fato estranho para quem já é tudo, inclusive CEO. Sabe que os sócios, sem lei especifica que permita, não deixarão o clube ser transformado em sociedade empresária, e terá o motivo para sair como herói. Não precisava criar esse fato. Se o seu sentimento é de vítima diante da pressão, já é herói. Pode e deveria renunciar.

Pelo mesmo motivo que deixou a INEPAR, deixou a presidência do Athletico: as dívidas. E, no Furacão, agora tem a ameaça da queda para a segunda divisão.

São fortes as coincidências entre o Petraglia da INEPAR e o Petraglia do Athletico. E logo poderá haver uma triste, que será o símbolo de tudo: a torcida atleticana será vítima como foram os sócios minoritários da INEPAR.

A lição do economista alemão Karl Marx sempre se atualiza quando se trata de Mario Celso Petraglia: “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

Em tempo: a família Oms permaneceu na INEPAR enfrentando todas as consequências. Já finalizada a sua Recuperação Judicial da empresa, logo será vendida.

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