Entre tantos preconceitos criados pela cultura brasileira, no futebol, está o que se tem contra o goleiro reserva. Esse, diferente de um jogador de linha, é tratado na arquibancada como um elemento distante, às vezes, quase remoto. E, isso não ocorre, apenas pelas diferenças técnicas com o titular que, em regra, são imensas. É raro que o goleiro de comando não seja um ídolo da torcida. E, quando essas diferenças se movimentam, surge aquela que é inatingível: o tempo. É esse que vai criando um juízo de convencimento ao torcedor e de segurança ao time. E, não é fácil: depende de passar por provações, enfrentando e derrotando provocações decisivas com soluções improváveis.

Os atleticanos sabiam que Santos, adotado desde jovem no CT do Caju, sempre recebeu lições corretas e a consciência de que bastava conciliá-las às suas virtudes naturais para ser um grande goleiro. No entanto, nas raras vezes que teve que substituir Weverton, foi recebido com desconfiança. Quando assumiu o gol do Furacão, em janeiro de 2018, ainda assim provocava reações diversas do torcedor. Nem tanto por ele, mas muito por Weverton.

Para ser um goleiro de seleção brasileira, não só teve que se submeter à desconfiança da torcida, mas afastá-la com a solução que o goleiro não está obrigado em um jogo: defender pênaltis, ainda mais se esses são critérios para uma decisão, como no título da Sul-Americana. Só nessa ocasião é que ganhou a confiança dos atleticanos, passando a ser uma esperança definitiva contra Flamengo e Grêmio, pela Copa do Brasil. E mostrou que pode ser uma esperança.

Não usarei essas razões para pedir paciência e compreensão para Léo, o goleiro reserva do Furacão, por um motivo: não existiam diferenças técnicas entre Weverton e Santos. Cada qual com seu estilo, se equivaliam. Não consigo projetar um equilíbrio imediato, e nem futuro, entre Santos e Léo.

Mas, era assim com Ricardo Pinto e Flávio, o “Pantera”. Na história do Furacão, Flávio dá um capítulo.