Querendo afastar-me desse ambiente de rebeldia e de intolerância dos torcedores, procurei por uma opinião sensata de alguém que vê o Coritiba como uma instituição centenária, e não como um time de futebol.

Encontro no Tribunal de Justiça do Paraná o desembargador José Hipólito Xavier da Silva, conselheiro do Coritiba. Provocando-o, começo a ouvir uma análise sem o revanchismo do fracasso no campo. Então, a meu pedido, o conselheiro coxa manda-me a sua opinião.

Eis um conselho de bom senso para o presidente Namur:

“O que fazer, presidente?

Não está em jogo a pessoa do presidente Samir Namur, nem os atos que comete nessa situação, inclusive na vida profissional como advogado e como professor. Também nada se questiona acerca do seu integral comprometimento pessoal, da sua plena dedicação, da sua extrema boa vontade e das suas claras boas intenções, características comuns com todos os que se dispõem a servir seu clube de coração. Por isso, analiso o dr. Namur apenas enquanto presidente do CFC – e, nessa condição, sem nenhum viés político, não vejo outra possível conclusão que não a da sua manifesta incompetência para gerir um clube de futebol.

Mas é preciso ver que essa incompetência específica não é defeito, porque ninguém é competente pra tudo. Aliás, o auto-reconhecimento desse estado, além de demonstrar humildade e desprendimento, é sinal de grandeza pessoal. E é desse espírito maior que o CFC mais precisa neste momento.

Admitir-se incapaz para um fim, especialmente esse, antes de revelar pequenez, prova de que ainda sobrou respeito com a instituição e com aquela que a sustenta enquanto tal, a sua torcida, vítima de humilhação jamais vista, e cuja tendência é de crescer ainda mais. A renúncia salvará o histórico pessoal do presidente e mostrará que, pelo menos no seu último ato, agiu com amor e competência”.

Um conselho como esse é a prova de que, para o Coritiba, ainda há salvação.

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