Só para lembrar o que escrevi na sexta-feira: “O Furacão tem obrigação de passar essas duas fases eliminatórias da Libertadores. Do contrário, provará que o seu projeto está na regra geral que se adota no futebol brasileiro”.

Por coincidência imediatamente Paulo Autuori, falou: “Eu sou contra essa ideia de outros clubes, torcidas e até da imprensa de que a Libertadores é tudo. Nós queremos que a equipe seja competitiva em todas as competições. Eu prezo pelo equilíbrio. Então sem euforia se você passar e tão pouco sofrer traumas se for eliminado”.

Cito por inteiro a resposta do treinador do Furacão por um motivo. Embora raros, há treinadores no futebol brasileiro, que em razão da cultura pessoal, enfrentam qualquer assunto de futebol fora do padrão comum. Entre nós, os três treinadores Autuori, Carpegiani e o jovem Wagner Lopes não se limitam a responder a questão proposta, mas a fundamentá-la. Bem por isso, a interpretação das entrevistas dessa natureza, não podem destacar uma ou outra frase, como se ela existisse isoladamente do contexto.

Autuori foi infeliz. Ao afirmar que “Sou contra essa ideia que a Libertadores é tudo”, e justificar que “nós queremos que a equipe seja competitiva em todas as competições”, quer comparar o torneio continental, com o Estadual, a Copa do Brasil e o Brasileiro.

Pergunto: qual seria o histórico de Autuori se não ganhasse a Libertadores, e por a ter ganho, o que deu-lhe a oportunidade de ganhar o Mundial com o São Paulo? Seria um técnico comum, limitado ao título brasileiro pelo Botafogo, em razão dos erros do árbitro Márcio Rezende, que derrotaram o Santos.

Pelas suas virtudes pessoais, não acredito que Autuori reduza a importância da Libertadores, comparando-a as “outras competições”. Por não ser ingênuo ou insensível, afirmo que intenção do treinador foi outra. Em razão do prestígio que tem perante a torcida, resolveu atender o pedido patronal e querer confortar a torcida, antecipando a desclassificação como um fato mais provável do que possível.