O berço é esplêndido e bem forrado: filho do falecido desembargador Waldomiro Namur e Maria Helena Bittencourt Namur, sobrinho do saudoso jurista (e atleticano dos grandes) Luiz Carlos Bittencourt (que foi embora e me deixou sem consolo), o advogado Samir Namur, 34 anos, é o novo presidente do Coritiba.

Como torcedor, nasceu e cresceu com o fanatismo e a intolerância da curva dos fundos do Couto Pereira. Bem por isso, é possível afirmar ser um coxa bem acelerado.

Os mesmos coxas, que há 3 anos elegeram Rogério Bacellar, que acaba de rebaixar o Coritiba, decidiram uma eleição no photochart, e elegeram Namur.

As dúvidas que o resultado provoca são tantas, que seria possível recorrer a Karl Marx (1818-1883), um dos orientadores ideológicos de Namur, e tirar do seu “18 Brumário de Luiz Bonaparte”, a lição de que “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. Adaptando à recente história do Coritiba, os substantivos da frase de Marx poderiam mudar de lugar: a farsa pode acabar precedendo a tragédia.

Mas será que com Namur virá a tragédia?

Houve época que era comum dizer-se que não se devia confiar em ninguém que tivesse menos de 50 anos. Já há algum tempo, descobriu-se que ser jovem é um valor tão real que se torna capaz de enfrentar a sabedoria dos mais velhos.

Embora no futebol, para as antigas gerações de torcedores, a experiência seja um elemento, em regra, fundamental, o fato de ser um jovem de 34 anos não diminui as suas qualidades e não o torna incapaz de comandar. O que é preciso saber, e que ninguém arrisca a garantir que sabe, é se Samir Namur tem essas qualidades. A maioria que votou para elegê-lo, não tinha uma consciência voluntária, se era a melhor opção para o Coritiba. Na verdade, todas as opções eram penosas por ser carregadas de dúvidas. A escolha por exclusão tem esse elemento incontrolável e perigoso que é a inconsciência em estado puro.

Um dia, saindo do Palácio da Justiça, uma assessora de gabinete, atleticana, perguntou-me: “Por que o senhor critica tanto o doutor Petraglia?” Depois de ouvir minhas razões, ela me respondeu: “Mas há um melhor, à disposição?”. Maldosa, faz eu pensar até hoje.

Não conheço esse jovem Samir. Mas, presumo, que não seria irresponsável de ser candidato com potencial de ganho, apenas como uma aventura programada em noites festivas com amigos de arquibancada.

Pergunta-me um coxa e dos grandes: “Há esperança para nós?”. As dúvidas são tantas, que se o escritor checo Franz Kafka (1823-1924) fosse coxa responderia, usando o seu mais famoso aforisma: “Há esperanças, esperanças infinitas, mas não para nós”.

Bem resumido, prever o que será o Coritiba com Namur, é querer prever o futuro.