A imagem Paulo Cesar Carpegiani vibrando no gol de Leandro, que derrotou o Santa Cruz e afastou do Coritiba do óbito no campeonato, não foi da natureza do treinador. Conheço-o bem. Embora sensível, como profissional consegue guardar os sentimentos. A sua explosão me lembrou o notável escritor espanhol José Sámano, que certa vez escreveu que como boa metáfora da vida, o futebol tem dias que enlouquece qualquer um, cruzamentos de caminhos para sofrer de uma loucura crônica.

Para ganharem o jogo do ano, os coxas tiveram que ir à loucura, como foi passar noventa minutos vendo o pobre Santa Cruz dominá-los e perder uma penca de gols. Aliás, é possível afirmar que ontem o Coritiba teve muita sorte e pouco juízo. E o pouco juízo até que demorou para chegar. Virando do avesso o time, mandando às favas toda ordem tática dos treinamentos, Carpegiani arrumou-o com os meninos Dodô, Yago e Yan. Foi quase a um passo da loucura que veio a fantástica jogada de Kléber para Leandro marcar.

Estrela

Uma coisa que não se pode negar a Mário Celso Petraglia, enquanto senhor do Atlético, é o fato de que, na sua capacidade para negócios está embutida uma grande estrela. Quando Weverton passou a ser um dos goleiros da confiança do Brasil de Tite, o Furacão ficou em uma encruzilhada: tinha caminho da valorização de um goleiro com 29 anos, e o outro o risco da ausência do seu melhor jogador. E aí Santos, sob as dúvidas que, em regra, ambientam a vida de um goleiro reserva, apresentou-se.

Discreto porque o seu senso de colocação dispensa pontes e acrobacias, afastou a desconfiança. Contra o Cruzeiro já havia garantido a vitória com uma defesa do além. Agora, a defesa do pênalti contra o Fluminense. E nenhuma alienada à sorte, todas associadas às suas virtudes. Resultado: o Atlético pode (e deve) ceder os direitos de Weverton e ter em Santos, o seu goleiro por um bom tempo.
A propósito, sem mal querer, onde anda Petraglia e qual a razão do seu silêncio?