Dizem que sou saudosista. Mas a saudade que eu sinto não critica o presente. Nesse tempo da saudade, para o Athletico, ganhar um Estadual, em um Atletiba, era a glória eterna. Carregava-se para as arquibancadas, o sentimento de que a própria vida era jogada em 90 minutos. Na derrota, não era possível prever o dia seguinte.

A geração Arena da Baixada que nasceu em 1995, e que a cada dia cresce (é essa dos nossos netos), é cheia de privilégios. Já viu o Furacão jogar várias edições e decidir a Libertadores, ser campeão do Brasil, ser campeão da Sul-Americana, ser campeão no Japão, escalar Kleberson para ser campeão do mundo e construir duas arenas na Baixada. Essa geração viu o clube ganhar e perder, mas nunca teve e não terá o drama do dia seguinte.

Hoje, o Athletico vai decidir no Beira-Rio, a Copa do Brasil. Em número simples, por ter ganho na Baixada (1×0), um empate o irá consagrar como o primeiro campeão nacional de 2019. Mas, se não ganhar (afinal, o Inter é o Inter), o futuro irá chegar de madrugada e amanhecer no dia seguinte. A vida é mesmo danada.

Uma derrota, no Beira-Rio, irá marcar e magoar muito mais a minha geração que pouco ou nada viu. As gerações, a partir de 1995, já tem um Furacão rico e vencedor, não precisando ser alienado só a ajuda da alma. Vai, Furacão. A minha geração merece e precisa desse título. É que a saudade que sente é a de Fernando Pessoa: “Não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram”.

O jogo

O jogo do Beira-Rio, por ser uma final entre iguais, é um daqueles jogos que impede projeções teóricas. O Athletico não ganhou o 1º jogo porque foi na Baixada, mas porque foi melhor que o Inter. O que serve para explicar o início dessa final, serve, também, para esse de Porto Alegre. No entanto, há um elemento já concreto, que é fundamental para qualquer ideia: o Athletico já ganhou o 1º jogo. Esse fato implica que o Inter terá que mudar o seu modelo de jogo. O Athletico, necessariamente, não.