Quando o Brasil tinha o melhor futebol do mundo, não obstante o amadorismo dos cartolas, a análise dos erros de gabinete era resumida em uma frase: o futebol brasileiro só evoluiu da boca do túnel para dentro do campo. 

Os 7×1 provocaram uma quebra definitiva no sistema do futebol brasileiro. Embora a regra, hoje, seja o gerenciamento profissional, nos momentos mais importantes os grandes clubes mostram que continuam dominados pelo vício do improviso. Bem resumido, a evolução gerencial é apenas um discurso ilusório, mentiroso ou populista.

Para enfrentar a mesma Globo, que não o deixou ir à insolvência em passado recente, o Flamengo se uniu a Bolsonaro, e, às escondidas, ganhou uma Medida Provisória que torna exclusivo do mandante o direito de cessão das imagens de um jogo. Mas, ao implementar o sistema, fracassou em razão da incapacidade da sua diretoria. Vendeu e não entregou o produto. 

Os cartolas pensam que a memória é curta.

Um dia desses, o site oficial do Clube Athletico Paranaense anunciou durante 24 horas uma entrevista exclusiva do presidente Mario Celso Petraglia. Seria a primeira desde que o executivo que comanda o clube obrigou-se a se recolher por uma grave enfermidade. No momento da entrevista, o site teria falhado. E Petraglia acusou defeitos técnicos que teriam sido provocados pelos seus “novos” inimigos: os hackers.

Um mês passou e, até hoje, Mario Celso Petraglia não concedeu a entrevista. Das duas, uma: ou os operadores técnicos do site são incapazes de enfrentar defeitos eventuais e comuns do sistema, ou Petraglia se arrependeu do que iria falar, e recuou.

Estadual riscado

Na época da flexibilização, cujo controle era apenas aparente, não foram poucas as vezes que afirmei ser necessário um tratamento ao futebol como negócio. Então, em condições de igualdade com os outros segmentos empresariais e comerciais, os jogos do Estadual, sem públicos, regidos por protocolos sérios, deveriam voltar.

Os clubes e a Federação Paranaense de Futebol, agora, em meio à mais rígida quarentena de todas as adotadas, querem voltar a jogar no próximo dia 19. 

Leio o trabalho da excelente jornalista Rosana Felix, cujo título é: “Curitiba tem o dobro de casos ativos de covid-19 do Rio de Janeiro e passa por momento crítico da pandemia”.  Se os cartolas lerem matéria, e tiverem sensibilidade, ficarão quietos e darão por encerrado o Campeonato Paranaense.

Por mais fortes que sejam os motivos, o futebol tem um grande impedimento:  em razão da sua relevância popular, a volta vai causar um impacto negativo nos atos de restrição.