Já escrevi que não é fácil ser jornalista esportivo em Curitiba. Não me refiro àqueles que analisam o fato, como eu. Existindo o fato, basta analisá-lo com o exercício da argumentação. O repórter, que é aquele que busca a notícia, é um sofredor. E, quando os fatos acontecem, são de péssima qualidade.

Não gostando de associar essa coluna à um tema genérico, mas, a um fato atual, recebo a notícia editada na Gazeta do Povo pelo jornalista Julio Filho. Não obstante à seriedade do assunto, estava sendo tratado à margem do noticiário: a parceria entre Paraná e os russos.

Da forma como é narrado o fato pelo jornalista, autorizo-me a imprimir uma interpretação com base na experiência, passando do limite da dúvida e alcançando o campo da certeza: os russos, se é que assumiram formalmente a parceria através de representantes com poderes (o que não acredito), recuaram.

O motivo do recuo russo é a questão menos importante, por não ser surpreendente. Quando se negocia por “baixo dos panos” com desconhecidos, a não finalização não é surpresa. E, na prática, analisado sob o aspecto financeiro, o Paraná não perde nada, pois R$ 300 mil mensais não irão salvar a sua vida, ao contrário, vai comprometê-lo ainda mais.

A questão mais importante é essa: o “bandido da história” é a empresa russa ou Leonardo Oliveira? De pronto, respondo: é Leonardo Oliveira. Primeiro, como presidente, porque deveria ter o mínimo de diligência para investigar quem eram esses russos trazidos por Felipe Ximenes “10%”. Não o fazendo, não procurando proteger o Paraná contra os danos, foi irresponsável.

Segundo, como interventor, praticou um ilícito gravíssimo, ao induzir, outra vez, a Justiça do Trabalho ao erro. Não se pode propor uma solução ao Judiciário, e ainda mais laboral em razão do seu caráter social, levando a tiracolo desconhecidos comandados por Felipe Ximenes, cujos antecedentes no Coritiba são os piores possíveis.

E a torcida que não acredite que irá se ter um novo parceiro. Um investidor com o mínimo de seriedade e bem orientado juridicamente, sabendo com quem irá negociar, não irá assumir nenhuma obrigação.

A tentativa de salvar o Paraná passam por dois fatos: a renúncia de Leonardo Oliveira e toda a diretoria, e a antecipação das eleições.