Por ter seguido outro caminho acadêmico, desconheço os princípios fundamentais da psicologia que tratam de compreender a alma humana. Se soubesse o básico, poderia tentar explicar a mudança de comportamento de Paulo Autuori, treinador do Atlético.

Sem nenhum motivo aparente, por ser um treinador com privilégios que não são dados a nenhum outro no futebol brasileiro, recolheu o caráter humilde de sua personalidade. O que se tem agora é um professor que, parecendo oprimido, reage com impaciência à mais simples manifestação.

Uma entrevista coletiva para Autuori passou a ser um drama de Shakespeare, pois a impressão é algo não vai terminar bem. Não aceitando questões que se afastam do padrão comum, reage com críticas, cria metáforas para fazer ironias e exprime descontentamento, como se não fosse obrigado a dar satisfação, e como se os repórteres fossem seus inimigos, e estivessem ali para maltratá-lo.

À beira do campo, extravasa um lado agressivo que parecia não compor a sua personalidade, investindo contra árbitros e até contra jogadores adversários, como aconteceu contra o Jotinha.

Como explicar esse novo comportamento de Paulo Autuori? Talvez esteja reagindo contra o seu próprio interior, convencido de que o jogo que ver o Atlético não está jogando. Não obstante a bela campanha na Libertadores, não há como negar que a casualidade e o goleiro Weverton estão resolvendo a sua vida, como as circunstâncias da vitória em Buenos Aires. Contra o Jotinha o time foi medíocre taticamente, sendo dominado os 90 minutos, e só não perdendo porque o “moleque” lhe dedicou muito respeito, pouco atacando.

Autuori deve ter e não pode perder a consciência da sua importância para o Atlético. E não pense ele que se limita ao comando técnico. Vai além: a sua presença é que a cria o ambiente saudável em razão da personalidade, da sua cultura, das suas idéias e em especial da sua honestidade como homem e profissional.

Todos esses atributos constituem em torno de si o contraponto a Mário Celso Petraglia, o senhor do clube, sabidamente arbitrário, intempestivo, arredio, sem nenhum sentimento paternal que é importante quando se agrupa personalidades heterogêneas como são de um grupo de jogadores.
Se Autuori continuar tendo reações que andam lhe ensinando, fará mal a si e ao Furacão.