Escrevi ontem que a investigação da Polícia Federal, que trata de empresas no exterior que seriam de Mário Celso Petraglia, repercute diretamente na esfera do Clube Atlético Paranaense. Expliquei que não há como dissociar Petráglia do Furacão, pois seria como romper o vínculo do criador com a criatura. Sem nenhuma pretensão de me dar a mesma importância, conto uma historinha. Certa vez, quando o Atlético foi suspenso por um ano, rebaixado pela caneta da CBF, e Petraglia excluído do futebol, passei a escrever textos contra as decisões superiores. Petraglia me pediu: “Pare, confundem você com o Atlético”. São relações que nós criamos e que nem a morte é capaz de romper.

Volto ao tema.

A última decisão da Juíza Doutora Gabriela sugere que “o inquérito está no final”. Finalizado, vai à Procuradoria da República para oferecer ou não denúncia. Se antes da Lava-Jato, indícios ainda que remotos já eram o bastante para motivar a denúncia e a sua aceitação, hoje denuncia-se primeiro para depois investigar. Nos dias de hoje,no campo criminal, não precisa de uma sentença para condenar uma pessoa. Basta um inquérito, pois a censura pública tornou-se mais forte do que a judicial.

No caso, um novo fato deve ocorrer.

Então, a pergunta: se Mário Celso Petraglia for obrigado a se afastar do comando, o que será do Atlético? Nesse momento, toda a estrutura do clube, por ser pouco transparente e ser centralizada, tem um único pilar: Mário Celso Petraglia. Rompido esse, rompe-se aquela. Fora Petraglia, não há dentro desse Atlético nenhum homem com capacidade de gerir e sustentar essa estrutura. Por faltar capacidade e independência, afogam-se na submissão. Os outros dois revolucionários, que concorreram para a construção desse Novo Mundo, e que poderiam num impedimento de Petraglia socorrer ao Furacão, estão fora.

Um processo em que a denúncia é por lavagem de dinheiro é cheio de trauma. Há uma devassa financeira e fiscal na vida da pessoa e das empresas as quais ela direta é ligada. Nos documentos do inquérito, o Atlético é citado.

Se legítimo por relação pessoal para dar conselhos, iria sugerir a Petraglia que se manifestasse publicamente para tranquilizar a torcida do Atlético, e arrumar uma forma do Atlético não ser alcançado.