A opinião da Tribuna sobre a exclusão voluntária de Atlético e Coritiba da Primeira Liga está resumida no título no site: “Dupla Atletiba teve coragem e ousadia ao fazer a coisa certa”. Na coluna “A Carta”, da edição de 11/11/2016, tratei do assunto, arrematando: “Se essa intransigência tiver como custo a saída dos dois do torneio, valerá a pena. A grandeza se revela, também, expondo o orgulho próprio para praticar atos”.

Não adoto a coerência só para manter posições pretéritas. Às vezes, encontra-se a coerência mudando de opinião. Nelson Rodrigues certa vez ao rebater uma crítica por ter mudado de posição, escreveu: “Toda coerência é, no mínimo, suspeita”.

O discurso de Mário Celso Petraglia, pelo Atlético, e que foi adulado pelo Coritiba, é o de que a saída da Primeira Liga foi “uma questão de princípio”. Quando se usa princípios como base, o discurso torna-se belo, sem dúvida. Mas, no caso, o princípio é uma opção de valor ou simples referência de início?

Não se podem desprezar os princípios que ambientam o futebol. Nenhum deles é verdade fundamental. Todos são viciados. Na sua base sempre há um elemento de interesse escondido. Não tenho dúvida de que a “coragem e a ousadia” a que se refere o belo texto de Cristian Toledo estão sustentadas por um componente que não guarda nenhuma identidade com o princípio, enquanto fundamento de valor.

Desconfio desses “princípios” nem tanto pelo Atlético. Em nenhum momento da crise, o Furacão admitiu sair ou ficar. Ao contrário do Coritiba, ao mesmo tempo que contestava a divisão do dinheiro da televisão, garantia a permanência na disputa. De repente, os coxas mudaram, deram as mãos para o Furacão e saíram.

O presidente Bacellar seria, assim, tão submisso aos “princípios” de Petraglia? A submissão aparente seria a admissão como verdade da brincadeira de que Petraglia é o presidente de fato, também, dos coxas.

Garanto-lhes que Atlético e Coritiba não saíram da Primeira Liga pelo principio como ideia de verdade, mas pelo princípio como intenção alcançar benefícios. E como no futebol não existe anjo, estão absolutamente corretos.