O goleiro Santos, do Athletico, parece viver em um mundo paralelo ao do futebol. Um passo a mais, talvez, acabe no mundo dos imortais onde está Caju. Não sorri, não chora, e tudo aquilo que todos os outros sentem com a ameaça de uma perda em campo, para ele é natural. Nada o perturba.

Talvez, Santos não sabe, mas isso só é possível para os extraordinários. É assim que se manifestam os sentimentos de alguém superior. “A superioridade não se mascara de palhaço; é de renúncia e de silêncio que se veste”, escreveu em um conto Fernando Pessoa.

O Athletico já estava em um estado de exaustão para manter a vitória sobre o Bahia com o belo gol de Christian. Então, no final, Santos derrubou Rossi na área e o árbitro marcou o pênalti, que existiu.

Quase todos os atleticanos em campo, de uma maneira ou de outra, praguejaram contra a sorte, contra o juiz e contra o VAR, mas, Santos ficou em silêncio. Os superiores não se esgotam com fatos irreversíveis.

No gol, diante do baiano Clayson, Santos parecia estar nesse seu mundo. Resolveu ir à Baixada para pegar mais um pênalti e salvar o seu Furacão. É extraordinário que ao se lançar para o lado esquerdo, fez o seu corpo sobrar.

Com a sua força e a sua resiliência, Santos lembrou o “José” de Drummond: “você é duro, Santos!”.

A arma coxa

O Fluminense está quase dizimado pelo vírus. Entre titulares e reservas, dez foram mandados para a quarentena. E, se não bastasse, há também uma crise de vitórias. E, mesmo, assim, irá jogar hoje contra o Coritiba.

A culpa não é do Coxa. É o jogo que tem que ser jogado no meio da pandemia. O fato, no entanto, aumenta a responsabilidade do time de Jorginho. O Brasileirão virou um certame de oportunismo. Decide-se não só por uma interpretação caseira do VAR, por um fato inesperado, como um pênalti no final ou uma bola perdida.

A disseminação do vírus, e que no Rio de Janeiro é incentivada pelos próprios clubes, passou a ser um fato de auxílio para quem se cuida.

A volta de Sicupira

Faltam poucos dias. Concentrado, Sicupira já está limpando as suas chuteiras. Em forma, dia 3 de outubro, sábado, volta a campo. Pela pena do jornalista Sandro Moser, irá narrar a história dos seus gols e da sua vida.

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