O Fluminense, por ser da burguesia carioca, sempre quis ganhar pelo exercício do poder. Foi ele quem provocou o fato que originou a expressão “tapetão”. Em 1969, para escalar o seu artilheiro Flávio “Minuano”, da final carioca contra o Vasco, que estava suspenso pelo cartão vermelho, conseguiu uma liminar na Justiça Comum. Nelson Rodrigues escreveu que o seu clube havia definida a escalação de Flavio nos “tapetes dos tribunais”.

O expediente de ganhar no “tapetão”, o que não consegue ganhar no campo, incorporou-se à cultura do tricolor. Usou duas vezes o tribunal de CBF para não disputar a segunda divisão nacional: em 1997, ao custo da suspensão do Atlético Paranaense por um ano em razão da imputação de suborno de arbitragem de seu presidente Petraglia, voltou para a Primeira Divisão. Em 2013, no nebuloso caso Héverton, no tapetão, o Fluminense foi salvo do rebaixamento, mandando a Portuguesa para a segunda divisão.

O Fluminense, agora, fez nova incursão. Queria ganhar nos tapetes da CBF o jogo que perdeu no campo para o Flamengo. Neste momento era exatamente esse jogo que faz a diferença com o Atlético Paranaense. Pressionado por alguém (presumo que pela televisão), o STJD arquivou o pedido. Esse fato, embora seja benéfico para o campeonato, mostra que não existe Direito Desportivo. O que existe é Justiça Desportiva, é Justiça Esportiva, que não depende da lei e nem do seu espírito, mas da lei interpretada de acordo com os interesses que se jogam no momento da decisão final. Coincidência ou não, a suspensão dos pontos do Flamengo repercutiu negativamente no aspecto comercial, alcançando em cheio os interesses da televisão. Se foi esse o motivo do arquivamento, viva para a televisão.

Prejuízos

Os promotores do concerto de Bocelli, na Baixada, tiveram prejuízos. Como tiveram os promotores do show de Rod Stewart o ano passado. Lucro só teve o UFC, porque o valor do ingresso foi acessível. Está provado de que eventos que oneram muito o ingresso não sensibilizam o público. E no caso de shows como de Bocelli há uma agravante: a natureza do público é de pessoas com mais idade. E os ingressos mais baratos são em locais que exigem esforço físico pela falta de elevadores na Baixada.