O leitor da coluna, o empresário José Cincos Júnior, fez um questionamento: por que todo empresário é sempre o vilão, o canalha, nas novelas brasileiras? Segundo ele, os empresários da ficção não trazem oportunidades de trabalho, de crescimento profissional para seus colaboradores. Então, fomos atrás na memória televisiva dos bonzinhos.

Mas, antes, lembramos de um daqueles do mal mesmo.  Ele está no ar na reprise de Vale Tudo (1988), no Viva, Marco Aurélio (Reginaldo Faria), genro de Odete Roitman (Beatriz Segall) e vice-presidente do grupo de aviação TCA. Traía sua esposa Leila (Cássia Kis Magro) com Maria de Fátima (Gloria Pires), o que motivou o assassinato por engano de Odete. Homofóbico, reprimia muito o filho Thiago (Fábio Villa Verde), que ouvia música clássica com o amigo. Deu muitos golpes pela TCA, cometeu irregularidades diversas, roubou a própria empresa e terminou fugindo do Rio de Janeiro “mandando uma banana para o Brasil”.

Voltando aos empresários do bem, foi difícil achar mesmo, o leitor tem razão. Mas eles existem. Um exemplo é Miguel (Tony Ramos), de Laços de Família (2000). Dono de uma livraria no Leblon, no Rio de Janeiro, dava a oportunidade a quem chegava no seu movimentado estabelecimento, que tinha um café anexo. Sempre oferecia como presente livros para seus amigos e visitantes. Apesar dos seus afazeres de empresário, sempre achava um tempo para tomar um café com os amigos e amigos dos amigos. Paciente, e com sua bondade, lutou até o fim da trama de Manuel Carlos para conquistar o amor de Helena (Vera Fischer). Com Miguel, o mundo não estava perdido.