Um dos grandes dilemas dessa pandemia é a volta das aulas presenciais nas escolas, assunto que envolve diferentes públicos – crianças, pais, professores, empresários, fornecedores e autoridades públicas. Todo mundo discute, tem fortes argumentos prós e contra, mas não há um consenso.

Fato é que as crianças estão sofrendo porque o melhor laboratório da vida está fechado. Quadros de ansiedade, irritabilidade, obesidade, perda de concentração, dificuldade de aprendizado, falta de rotina, baixa sociabilidade, prejuízo de criatividade e diversas outras consequências que, em médio ou longo prazo, podem se tornar irreversíveis.

Outro impacto é o financeiro. Escolas fecharam e professores e colaboradores foram demitidos. Muitos que continuaram empregados tiveram redução de salário. Fornecedores deixaram de vender. Isso diminui o poder de compra de milhares de pessoas impactadas e traz reflexo direto na economia local.

O retorno das aulas presenciais é urgente e necessário. Obviamente, na bandeira laranja para baixo, com todas as condições e respeitando todas as exigências e recomendações das autoridades. Na bandeira vermelha, é totalmente compreensível.

Nesta quinta-feira (1º), o diretor de Centro de Epidemiologia da Secretaria de Saúde de Curitiba, Alcides Oliveira, disse, na Câmara Municipal de Curitiba, que considera a escola como serviço essencial, na opinião pessoal dele.

“Estamos criando desigualdades nesse país. E vamos pagar um preço por isso. Porque não [as crianças] têm acesso à educação. Como vamos cobrar civilidade das pessoas para viver em sociedade se a gente não dá educação para as crianças? O país precisa de educação. Precisa das escolas abertas. É claro que com a pandemia precisamos dos cuidados – e isso as escolas podem se adaptar”, disse o gestor.

Se depende estritamente da vacinação de professores, que as autoridades tornem esse público prioritário. O que não dá é para as crianças perderem mais um ano de vida escolar.