No Brasil, nem sempre os vereadores mais votados são eleitos, porque o sistema de eleição é proporcional, em que primeiro são selecionados os partidos mais votados e depois os candidatos mais votados dentro de cada partido. Ou seja, tem duas questões que eu preciso te contar: como funciona a proporcionalidade e como fazer a continha para descobrir quem são os eleitos.

O primeiro cálculo para eleger os vereadores é simples: você pega o número total de votos válidos – ou seja ignora brancos e nulos – e divide pelo número de cadeiras da Câmara Municipal. Em Curitiba, são 38 vagas para vereadores – esse número está definido na Constituição Federal e depende exclusivamente do número de habitantes de cada município, ou seja, varia de cidade para cidade.

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Vamos imaginar que:

1) Os quatro clubes de futebol do Paraná que disputam as séries A e B são partidos políticos; e

2) As pontuações atuais que eles têm nos campeonatos multiplicadas por 1.000 são os votos que eles somam no pleito.

Então, na nossa eleição, tivemos os seguintes votos:

  • Paraná Clube: 29.000 votos
  • Operário: 26.000 votos
  • Coritiba: 20.000 votos
  • Athletico: 19.000 votos

Total: 94.000 votos

Então nós pegamos o número total de 94 mil votos e dividimos por 38 vagas, que dá 2.473. Ignorando os números depois da vírgula, temos o chamado quociente eleitoral. Então agora a gente vê quantas vezes os clubes atingiram esse número. Fica assim:

  • Paraná Clube: 11
  • Operário: 10
  • Coritiba: 8
  • Athletico: 7

Total: 36

Paraná Clube foi o partido mais votado e elegeu 11 vereadores. Mas repare que só temos 36 eleitos, justamente porque os números após a vírgula são ignorados. Chamamos isso de sobras. E aí temos um novo cálculo para se chegar ao número total de 38: dividimos a quantidade de votos válidos dos partidos pelo número de vagas alcançadas na primeira continha, somando mais um. Quem tiver a maior média, recebe a primeira vaga disponível e assim por diante.

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Na nossa eleição, Athletico e Paraná Clube ganham mais uma vaga, nessa ordem. São esses dois vereadores que podem ter sido eleitos com menos votos que outros candidatos não-eleitos.

O 12º candidato do Paraná Clube não necessariamente teve mais voto que o 11º colocado do Operário, por exemplo, e mesmo assim garantiu a vaga de vereador. Assim como a 8ª vaga conquistada pelo Athletico pode ter menos votos que o 11º do Operário e o 8º do Coritiba.

Nas últimas eleições para a Câmara de Curitiba em 2016, por exemplo, 35 candidatos tiveram mais votos que o último vereador eleito, que ficou na 73ª colocação com 3.006 votos. O candidato que teve o maior número de votos e mesmo assim não foi eleito teve 5.572 votos.

Então não necessariamente os candidatos que têm mais votos são eleitos. Primeiro precisamos considerar os votos recebidos por partido. E é bem diferente da eleição para prefeito, que ganha quem tiver mais votos.