O segundo turno entre Lula e Bolsonaro era dado como certo na disputa para a Presidência da República em 2022. Primeiro pela popularidade dos dois em todas as camadas; segundo pela projeção nacional, já que um ocupou o cargo e outro ainda ocupa; e terceiro porque reduzia a disputa entre direita e esquerda. Mas o anúncio da pré-candidatura do ex-juiz Sergio Moro bagunça o coreto.

Moro foi considerado “herói nacional” durante a Lava Jato. Muita gente chegou a colocar a foto dele no seu perfil do Facebook, demonstrando exagero no apoio popular ao fim da corrupção. Mas “o maior patrimônio da sociedade brasileira contemporânea”, como dizia e repetia o saudoso Ricardo Boechat, acabou. Ou melhor: acabaram com a Lava Jato.

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Sergio Moro foi uma figura importante tanto na prisão de Lula como na eleição de Bolsonaro. E é justamente por isso que ele só é capaz de ganhar votos de uma parte dos eleitores. Quem votaria em Moro? Obviamente não o eleitor de esquerda, que se configura uma parcela significativa da população. No atual cenário, Lula precisa se preocupar com Ciro Gomes.

Para Moro, é maior a chance de voto dos insatisfeitos com Lula e Bolsonaro, dos que já clamavam pela tal da terceira via e dos que pretendiam anular o voto. Existe ainda chances de voto de eleitores do Bolsonaro que acreditam nas pautas de segurança pública mais rígida, combate efetivo da corrupção e fim do foro privilegiado. Nesse caso, o Bolsonaro precisa se preocupar com Sergio Moro.

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A candidatura de Moro não surpreende, afinal de contas, já apanhou dos eleitores de Lula e Bolsonaro. E as polêmicas da Lava Jato vão servir de argumento nas rodas de papo sobre política, nos grupos de Whatsapp e nos almoços de família.

Se quiser passar de dois dígitos nas pesquisas eleitorais, Moro precisa adotar um discurso contundente, justo e provocante, para convencer uma boa parte da população a colocá-lo no segundo turno. Tempo tem.