Qual foi a última vez que você pensou sobre as suas prioridades? Que reavaliou aquilo que é importante para você? Como você avalia seu progresso em relação aos seus objetivos de vida? Você tem usado seu tempo para pôr em prática seu conjunto de valores, aqueles conceitos que cada um de nós tem sobre o que é certo ou errado, ou sobre o que é sinônimo de sucesso em nossas vidas?

Se você valoriza ter um bom trabalho e uma boa relação com sua família, quanto tempo tem dedicado para que isso aconteça? Ou, se você acredita que o sucesso está diretamente ligado à quantidade de dígitos em sua conta bancária, como você está trabalhando para que eles cresçam?

Além de eu acreditar firmemente que buscar o sucesso, a fama, o dinheiro e o prazer não garantam a felicidade, na verdade, estou convencido do contrário: essas são metas que devemos evitar ter em nossas vidas. Apesar disso, não estou aqui para dizer como você deve empregar seu tempo e nem quais devem ser seus objetivos de vida. A questão é que, independentemente do seu conjunto de valores pessoais e de quais métricas você usa para avaliar sua satisfação ou sucesso, é preciso que você se responsabilize pelo uso do seu tempo.

Qualquer caminho que você escolha na vida estará repleto de problemas e adversidades. Todos nós temos que “matar um leão por dia”. É claro que alguns enfrentam um leão desdentado, ou velho, ou cansado; e que outros se deparam com dois leões ferozes e famintos ao mesmo tempo. De qualquer forma, só você pode matar o seu leão. Culpar as adversidades da vida ou outras pessoas pelo nosso fracasso ou pela nossa infelicidade é não se responsabilizar pelas nossas ações. Não estou dizendo que o que acontece conosco seja sempre nossa culpa, nada disso! Mas que somos, sim, responsáveis pela forma como reagimos ao que acontece.

Enquanto você não valorizar a si mesmo e decidir que, independentemente de quantas vezes fracassar e do sofrimento que vai passar, você vai investir seu tempo naquilo que você julga ser importante para sua vida, você continuará sendo infeliz.

Demorei anos para perceber que a felicidade não reside em uma lista cheia de conquistas pessoais, um currículo extenso ou uma garagem com 10 carros esportivos (até porque nunca os tive). Na verdade, a própria busca pela felicidade plena e por uma vida sem problemas é questionável, uma vez que a satisfação e o sentimento de bem-estar interior residem na nossa capacidade de efetivamente resolver os problemas que a vida nos impõe!

Curiosamente, nossos momentos memoráveis, aqueles que lembramos e sentimos orgulho de nós mesmos, não estão ligados com nossos dias de sombra e água fresca, mas com nossos maiores sofrimentos. Ser feliz, em última análise, é superar adversidades e resolver os problemas necessários para progredir naquilo que valorizamos. Então, se você tem usado seu tempo para resolver problemas que não estão alinhados com seus valores e com aquilo que você julga ser importante, provavelmente está se sentindo infeliz.

Está na hora de reavaliar suas prioridades, seus valores e suas métricas do que é ser bem-sucedido.

Neste momento você pode estar pensando: “mas como é que você tem coragem de dizer que eu não valorizo a mim mesmo!?”, ou, ainda: “não passa de um garoto mimado, nunca viveu um problema de verdade, não sabe o que é ter que trabalhar em dois turnos para sustentar uma família, e vem me dizer para ser responsável…”. Tudo bem, é verdade que ainda não tenho 30 anos, e que minhas adversidades, comparadas às de outras pessoas, não são nada de mais. Mas agora lhe faço um convite: pare e pense sobre as suas adversidades… tenho certeza de que você também não é especial, e que está cheio de gente por aí com “leões muito mais ferozes” do que os seus para matar por dia.

Na verdade, isso tudo é irrelevante: quantos famosos, ditos bem-sucedidos, não cometem suicídio por se sentirem completamente miseráveis e infelizes? Provavelmente eles não estavam usando seu tempo para resolver os problemas que eles julgavam ser importantes naquele momento de suas vidas. Ora, a partir do momento em que você atinge seus objetivos, é hora de reformulá-los, de reavaliar valores, como coloquei no início do texto. E esse é o problema de buscar riquezas, sucesso, fama e prazer. A partir do momento em que você alcança essas metas, a vida torna-se vazia e sem sentido. Não há mais problemas a serem resolvidos.

O outro extremo poderia ser uma pessoa com depressão extrema, abandonada pela família e amigos. Apesar de não ser culpa dela estar nessa condição, ela é a única responsável pela forma como emprega seu tempo para resolver os problemas que a vida lhe trouxe: lutar pela vida dia após dia, mesmo em condições extremamente adversas. Talvez neste caso, infelizmente, a pessoa não seja capaz de resolver seus problemas sozinha. E é por isso que devemos respeito àquelas pessoas em cujo conjunto de valores se encontra algo como “doar parte do seu tempo para ajudar outrem”.

Sem medo de usar um clichê: a felicidade é a viagem, e não o destino.

Eu tenho certeza de que tenho empregado meu tempo naquilo que eu julgo ser importante para mim. Dia após dia, fracasso após fracasso, problema após problema, sinto que progrido em direção àquilo que acredito valer a pena: ser honesto, ético, um bom amigo, um bom filho, um bom irmão, um bom profissional, ajudado outras pessoas a valorizarem e usarem melhor o seu tempo…

Poderia continuar a listar com uma série de valores que, neste momento em que escrevo, julgo serem bons objetivos para nortear o uso do meu tempo. Perceba, entretanto, que meus valores não são metas fixas, mas exigem esforço contínuo, me obrigam a resolver problemas dia após dia. Além disso, busco valores e meios de medir meu progresso que dependam cada vez menos dos outros, pois condicionar nossa felicidade e satisfação a terceiros é receita clássica para se sentir infeliz. De qualquer forma, sempre me coloco como responsável exclusivo pela forma com que invisto meu tempo, como protagonista da minha vida.

E você, qual foi a última vez que reavaliou suas prioridades e valores? Quais desculpas anda contando para si mesmo para se eximir da responsabilidade de investir seu tempo naquilo que é importante para você?

Guilherme Oliveira