Em maio, o Globoplay estreou “O Caso Evandro”, série documental sobre o rapto de um menino de sete anos em Guaratuba, litoral paranaense, no início da década de 90 e encontrado dias depois o corpo mutilado suspeitando de ter sido oferenda em ritual macabro. No Paraná, o caso também ficou conhecido como “As Bruxas de Guaratuba”.

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A história veio à tona após o jornalista Ivan Mizanzuk criar o podcast “Projetos humanos: O Caso Evandro”. Este que, por sua vez, serviu de norte para o projeto de série idealizado pela produtora Mayra Lucas, e encabeçado pelos cineastas Aly Muritiba e Michelle Chevrand.

Considerado por Aly seu melhor trabalho, “O Caso Evandro” é uma produção da GLAZ Entretenimento e exibido no streaming da Globo. A produção do documentário inova por ser a primeira adaptação de podcast para série no Brasil.

Os Diretores

Aly nasceu no interior da Bahia, e reside em Curitiba há 15 anos, ele é conhecido por dirigir “Para Minha Amada Morta” e “Ferrugem”. Já Michelle, é carioca, trabalha há 17 anos no ramo audiovisual e é especializada em documentários esportivos. Seu mais recente trabalho foi o filme original da Netflix “Pelé”, onde foi assistente de direção. Juntos tiveram a missão com a equipe de roteiristas de adaptarem um podcast de 40 horas em uma série televisiva. Ambos dizem recordar vagamente sobre o caso e revelam que se impressionaram ao descobrirem as tantas reviravoltas no crime que levou mais de 10 anos para ser julgado.

Com as filmagens finalizadas na véspera do primeiro lockdown para conter o avanço da pandemia do covid-19, em março de 2020, a série documental “O Caso Evandro” foi inteiramente gravado no Paraná com grande parte da equipe sendo do próprio estado e levou quase dois anos para ser concluída, isso contando o tempo de pesquisa, pré-produção, negociação com o Globoplay e pós-produção.

Depoimentos

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Cena de O Caso Evandro. Foto: Divulgação/Elisandro Dalcin

Diferente do podcast do Ivan Mizanzuk, a série traz a participação de diversos personagens importantes do caso e profissionais da imprensa e da área jurídica. Ao todo foram 36 testemunhas.  A diretora Michelle Chevrand foi uma das responsáveis para encontrar e convidar estas pessoas. Junto com a pesquisadora Beatriz Monteiro, a cineasta explica que levaram quase quatro meses para procurar as testemunhas e convencê-las a participar da série. “Foi um trabalho estilo Sherlock Holmes. Muitas delas nem moravam mais em Guaratuba”, disse a cineasta.

Papel diplomático. Convencer as principais testemunhas a recontar os fatos não foi fácil. Michele explica que muitos acuaram, tinham medo ou trauma de relembrar o acontecimento. O artesão Davi dos Santos Soares, um dos acusados, é um exemplo. “Davi primeiro queria conhecer o projeto, criar um elo e confiança. Ele revelou pra gente que chegou a se divorciar três vezes por conta disso e decidiu participar para encerrar este assunto”, conta.

ivan mizanzuk participa da serie O Caso Evandro
Criador do podcast “Projeto Humano: O Caso Evandro”, Ivan Mizanzuk participa série da Globoplay. Foto: Reprodução/Globoplay

Airton Bardelli, outro acusado, só decidiu participar depois de reunir a família junto com o pessoal da produção em um jantar. Outro só foi encontrado com ajuda de parente. É o caso de João Bossi, pai de Leandro, outro menino que desapareceu em Guaratuba, a equipe só conseguiu contato com o seu filho Lucas, este que convenceu o pai a participar do projeto.

Mas Michelle ainda conta que sempre surgia desistência. “Os dias de gravação eram tensas, pois a qualquer momento um dos entrevistados podia desistir de participar. Mas no fim tudo deu certo”, contou aliviada. “Eu acho que todos que se propuseram a participar, queriam por um fim nesta história e sentiram seriedade no projeto”, refletiu a cineasta.

Trabalhando junto

Não é a primeira vez que os namorados Aly Muritiba e Michelle Chevrand trabalham juntos. A carioca conheceu o baiano quando ele dirigia “Jesus Kid”, ainda inédito, onde ela foi uma das assistentes de direção. Na série “O Caso Evandro”, a cineasta atuaria como diretora assistente, no entanto, com o envolvimento de Muritiba em outros projetos, acabou assumindo a função de co-diretora. “O convite para ser diretora assistente veio do Aly logo depois que ele foi chamado pela Mayra Lucas para dirigir a série. Como precisei tocar a produção enquanto o Aly terminava as filmagens de seu longa “Deserto Particular”, ainda inédito, acabei assumindo a função de co-diretora”, explica Michelle”, explica Michelle.

Sem divisão de tarefas na hora de filmar. A série mistura os relatos das testemunhas, profissionais da imprensa que cobriram o caso na época, equipe da área jurídica e do próprio criado do podcast, Ivan Mizanzuk; com cenas de simulação dos fatos, estas que são chamadas de ambientação. Chevrand explica que “as decisões das cenas, a direção e pauta eram decididas em conjunto, uma vez e outra nos separávamos”.

Aqui no Paraná, Aly Muritiba já é referência em projetos audiovisuais. Já para carioca, foi um novo ambiente, e ela destaca seu encantado com os profissionais daqui e sua impressão pelo espírito de equipe e paixão deste pessoal por fazer parte do projeto. “Aqui todo mundo veste a camisa”, comparou Michelle.

Melhor trabalho de Aly

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Cena de “O Caso Evandro”. Foto: Divulgação/Breno Bahia

Com experiência em filmes de suspense policial, Aly Muritiba tem em seu currículo obras ficcionais com histórias relacionadas a crimes. São eles, “Para Minha Amada Morta”, “Ferrugem” e o documentário “A Gente”, onde ele volta ao seu antigo trabalho em uma prisão para reencontrar os antigos colegas e realizar um filme. O cineasta revela que suas experiências no gênero ajudaram na concepção da série sobre o menino Evandro. “Eu pude unir meus conhecimentos em documentário e o suspense em forma de thriller nO Caso Evandro. Eu diria sem sombras de dúvida que, dos meus trabalhos, é o que eu tenho mais orgulho de ter feito”, comenta Muritiba.

Próximos episódios

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Beatriz Abagge é uma das entrevistas da série “O Caso Evandro”. Foto: Reprodução/Globoplay

Nesta quinta-feira (27), vão ao ar mais dois episódios no Globoplay a partir da meia-noite. Serão os episódios 5 e 6. Sem muitos detalhes, Aly Muritiba conta que ainda há muitas reviravoltas. “Se você acha que já existe o culpado disso tudo, espera os próximos capítulos”, comenta o diretor.

A série termina dia 10 de junho com episódio especial sobre o caso de Leandro Bossi, o primeiro menino a desaparecer em Guaratuba.