A saída do juiz Sérgio Moro da Lava Jato não afeta em nada a operação, muito ao contrário. Logo na semana seguinte em que ele aceitou convite do presidente eleito Jair Bolsonaro, a operação de combate à corrupção ressurgiu com toda a força. A limpeza não vai parar, pra desespero de políticos e empresários mal-intencionados.

No Rio de Janeiro a casa caiu, literalmente. Foram 22 mandados e nada menos que 10 deputados estaduais presos. Cinco deles, infelizmente, reeleitos no último pleito, o que demonstra, ainda, a falta de qualidade no voto do brasileiro. Por lá os perdigueiros da Lava jato desvendaram um mensalinho na casa legislativa, com valores que chegavam a R$ 900 mil por mês em alguns casos. O esquema de compra de votos movimentou pelo menos R$ 54 milhões.

Dias depois a bomba explodiu em diversos estados. Agentes cumpriram 63 mandados de busca e 19 de prisão no Distrito Federal, em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso. Entre os ilustres encarcerados estão o vice-governador mineiro, Antonio Andrade (MDB), e os ex-executivos da JBS Joesley Batista e Ricardo Saud. Neste caso, corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Mesma linha

Já na 13ª Vara Federal, aqui em Curitiba, onde tramitam os processos da Lava jato, a saída de Moro não interferiu em nada na qualidade e celeridade dos trabalhos. A juíza Gabriela Hardt assumiu a caneta com vontade e já mergulhou no caso do sítio de Atibaia. Delatores da Odebrecht prestaram os primeiros depoimentos e o ex-presidente Lula, réu na ação penal, será interrogado por ela na próxima quarta.

Ou seja: a Operação Lava jato deixou de ser um ponto fora da curva, uma investigação da República de Curitiba, uma caça às bruxas capitaneada por um juiz que só quer “destruir um único partido”, pra se consolidar como um padrão nacional de combate à corrupção. Que assim continue. Ainda há muita sujeira a ser varrida, independente de cores, partidos ou militâncias. Moro não fará falta na Lava jato. E ainda será peça fundamental atuando como ministro da Justiça. O povo de bem agradece.