A velocidade com que os números se alternam no reloginho é impressionante. Assusta. Desde 2005 a Associação Comercial de São Paulo mantém o site www.impostometro.com.br. Lá é possível acompanhar, em tempo real, a estimativa de todos os impostos pagos pelo brasileiro até aquele momento. O número também é reproduzido pela nossa ACP. E já rompemos a casa do R$ 1 trilhão!

Além do valor em si, espanta a brevidade com a qual, ano a ano, patamares são atingidos. Pra se ter uma ideia, há 13 anos, quando iniciou este trabalho de monitoramento, o primeiro trilhão chegou somente em outubro. A marca segue sendo atingida cada vez mais cedo. Nesse ano ela deu as caras na segunda-feira da semana passada. 12 dias antes que em 2017.

É muita grana. Seguimos entre as nações de maior carga tributária do mundo. O que, em primeira análise, não deveria ser um problema. Desde que os serviços prestados ao cidadão fossem de qualidade. E não são! Se considerar a corrupção, aí é que tudo fica ainda mais complicado.

Estudo

O IBGE acompanha e divulga, periodicamente, o índice de retorno ao bem-estar da sociedade. Desta maneira se sabe o quanto volta em benefício, daquilo que se paga. Nessa lista o Brasil é apenas o trigésimo colocado. Vários países onde a população em geral paga menos impostos estão bem à frente. A Austrália, com carga tributária representando 27,3% do PIB, lidera. Coreia do Sul e Estados Unidos vêm a seguir. Aqui pagamos muito mais e temos muito menos.

Se a arrecadação cresce ano a ano e o buraco nas contas públicas só aumenta, sem que isso signifique gastos em prol da população que tanto precisa, pra onde está indo o dinheiro? É claramente sugado por uma estrutura pública enorme, venosa e solapada por um esquema político corrupto.

Não adianta ficar brigando, parando o país, por redução do diesel, tabela de frete ou coisa parecida. Isso é tomar analgésico pra combater a dor do tumor sem, no entanto, tratá-lo. São necessárias reformas, doloridas, mas importantes, como a previdenciária e a tributária. Pra usarem bem aquilo que pagamos. Por hospital de qualidade, educação, saneamento, segurança. Aí sim vale a pena parar o Brasil.