O instituto da delação premiada deve ser defendido com unhas e dentes. Já tratamos disso no editorial da semana passada. Não há melhor maneira de enfrentar a corrupção sistêmica e desenfreada que apodrece os alicerces da nação. Corruptos seguem caindo. E, delatores que em algum momento acharam que poderiam brincar com a colaboração, estão levando belas rasteiras.

Joesley Batista foi preso ontem. Junto com ele Ricardo Saud, um dos principais executivos do grupo J&F, controlador da JBS e de grandes marcas nacionais, como Friboi, Seara e Doriana. Joesley fechou um dos maiores e mais estranhos acordos de colaboração com a Procuradoria Geral da República. Trato muito criticado, em virtude dos inúmeros benefícios concedidos aos delatores.

Pois o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal Federal (STF), que homologou o acordo, chegou à conclusão de que os dois cidadãos mentiram, omitiram informações importantes pras investigações.

Vale lembrar que a bomba que os barões da carne explodiram atingiu diversos políticos de alto escalão, incluindo o presidente da República.

Rodrigo Janot o procurador-geral já em vias de entregar o cargo, se irritou com seus colaboradores e pediu a prisão deles. Fachin caneteou. E os dois se apresentaram à Polícia Federal.

Isso é ótimo! Lição clara e direta a outros dedos duros. A justiça quer sim, e precisa, da informação deles pra botar as mãos nos grandes tubarões. Mas não está pra brincadeira.

Nosso quintal

Aqui na terrinha, o dono da Construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, metralhou contra o primeiro escalão estadual em delação acertada com o Ministério Público Federal, ainda não homologada no STF. Atingiu o governador e seu círculo mais próximo no primeiro escalão, além da Assembleia Legislativa e seu presidente. Dinheiro desviado da educação, denunciou. O esquema vem sendo investigado pela Operação Quadro Negro.

E Antônio Palocci? Nem delator se tornou ainda – vai se tornar, com certeza – e já estremeceu a República. Isso que entregou, por enquanto, apenas pequenos detalhes que mostram como Lula e sua trupe agiam. Atenção às provas que estão por vir.

O Brasil segue sendo passado a limpo. Com sequelas, é verdade. Mas o movimento não pode parar. E as delações, e seus dedos duros, são detergente essencial nessa limpeza. Que a justiça não se perca nisso. E que os cidadãos de bem continuem acreditando.