É uma fração de segundo. Dolorosa e intensa o suficiente pra te fazer pular na cadeira, mas tão rápida que te deixa em dúvida entre ignorar o problema ou ligar correndo pro ortopedista. “Não foi nada”, você conclui enquanto tenta lembrar de todas as possibilidades de ter dado um mau jeito naquele dia. Então você não liga pro ortopedista e segue o baile, torcendo pra que fique por isso mesmo.

Vez ou outra, uma pontada na coluna pode mesmo não ser nada. Às vezes pode ser um dramalhão. Eventualmente, pode realmente ser um problema. Incomoda? Incomoda! O quanto é você que escolhe. De qualquer forma, se você é como eu, vai permanecer otimista e assumir que deve ser coisa da idade afinal, você já passou dos 30 e, apesar de se cuidar pra caramba, enfrentou alguns maus bocados na vida até agora, incluindo relações frustradas, ser mulher (ou identificar-se como uma) e ter nascido no Brasil. Some-se a isso o fato de você ter sobrevivido a uma das cinco maiores pandemias globais de todos os tempos. Não tem como, né? Uma hora a pontada na coluna vem mesmo e não adianta ignorar, não.

Porque, por maior que seja a sua vocação a Mulher-Maravilha, batalhadora-sem-descer-do-salto, vencedora e dona da p**** toda, mestre em botar o cropped e reagir, fazer de limão limonada e dar conta de tudo e de todos, lá no fundo eu sei que você é humana. Incrível, com certeza! Mas humana.

E, assim como eu, também tá tentando o seu melhor pra que – nessa breve jornada da vida – a somatória dos seus dias seja mais cheia de alegrias que de lamúrias. Vai ter vezes que a gente não vai conseguir. Terá dias que a gente não vai estar afim. E uma ou outra vez que não vai dar certo. Tá tudo bem, né? Somos humanas, por mais que nos esforcemos bastante em disfarçar e, no fim das contas, uma pontadinha na coluna de vez em quando talvez sirva  justamente pra lembrar a gente disso. 

Seja bem-vindo!