O escritor Alvin Toffler, em seu livro “A terceira onda”, de 1980, previu o trabalho no momento atual.
Para ele, a primeira onda – a revolução agrícola – e a segunda onda – a revolução industrial – dariam lugar à terceira onda – a revolução da informação e da tecnologia, que mudaria o cotidiano das pessoas e das nações. Nesta, a fábrica e a máquina não seriam mais o centro de tudo.

Como Toffler previu, hoje trabalhamos em casa, enquanto almoçamos no shopping, no fim de semana na praia, conectados o tempo todo. E os tablets e smartphones são os instrumentos de produção. Esse novo mundo virtual está transformando as relações de trabalho e de previdência.

Não trabalhamos mais na mesma empresa a vida toda. Ficamos numa, contratados com carteira assinada por três anos, depois, como autônomos, prestamos serviços a outra por uns cinco anos, eventualmente podemos estar desempregados por um período, passamos a terceirizados por uns dois anos, voltamos a trabalhar com carteira assinada numa quarta empresa e assim construímos nossa carreira profissional.

Não faz muito tempo, o normal era uma pessoa trabalhar a vida inteira na mesma empresa e se aposentar nela. Hoje, isso é exceção.

Que reflexões podemos fazer? Primeira, não dá para parar de estudar e se aprimorar, pois rotineiramente estaremos participando de recrutamentos para aderir a uma nova empresa.

Segunda, não dá para entrar em depressão quando perdemos o emprego. Logo outro virá.
Hoje, não basta se adaptar definitivamente a uma nova situação, mas entrar num estado de permanente adaptação para enfrentar as complexidades e aproveitar as novas oportunidades da vida virtual.

Tem um lado bom: o fato de estar sempre aprendendo, adquirindo novos conhecimentos e novas habilidades estimula o cérebro e prolonga a vida.

Agora, diante dessa nova e irreversível realidade, como é que tem gente que não admite modernizar a engessada CLT que data de 1943?

Não vale a resposta de que ela protege o emprego. A única coisa que protege o emprego hoje é competência e produtividade.

E quanto à previdência? Bem, acabou o tempo em podíamos depositar nosso futuro nas mãos do governo ou da empresa, acreditando que eles nos manteriam na velhice.

Temos que entender que nossa aposentadoria dependerá cada vez menos do patrão ou do Estado e mais de nossa atitude e disciplina de procurar sempre contribuir, mesmo quando estamos entre um emprego e outro.

O normal será ter uma previdência básica do governo de, no máximo, uns três salários mínimos e o restante virá de uma poupança previdenciária privada que portaremos sempre que mudarmos de emprego.