Na semana passada, para o dissabor dos públicos urbano e rural, tivemos mais um aumento no valor dos combustíveis. As pessoas já perderam as contas de quantos reajustes ocorreram nos últimos anos. Mas, não deixaram de notar os impactos que essa medida traz para o custo de vida na cidade e o custo de produção no campo.

No dia seguinte ao reajuste, um colega de trabalho comentou que, se continuasse a usar o automóvel para fazer o trajeto de ida e volta até a sede da empresa, gastaria R$ 22,17 por dia. Isso porque ele trabalha a uma distância de 12 quilômetros e o carro que ele usa faz, em média, oito quilômetros por litro. Essa conta não inclui o estacionamento no centro da cidade, que certamente ele teria que contratar. Tenho certeza que a realidade dele se enquadra para muitos de nós.

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A opção deste colega foi “aposentar” o automóvel nos dias de semana e retomar o uso do transporte coletivo, mesmo em meio a pandemia que eleva o risco de contágio. Aposto que essa mudança de postura também foi adotada por muitos. Sem contar que o próprio valor da passagem em Curitiba teve um reajuste e passou a custar R$ 5,50.

No meio rural, essa troca não é possível. As máquinas são ferramentas essenciais para as tarefas agrícolas dentro da propriedade, seja no preparo do solo, no plantio das sementes, na aplicação de defensivos agrícolas até a colheita dos grãos. Na pecuária também são necessárias máquinas como tratores para manejo dos animais, transporte da ração, entre outras tarefas.

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“Refém” das máquinas agrícolas, o produtor rural acaba por ter um dispêndio elevado com diesel. O combustível, que bateu na casa dos R$ 6,48 o litro na bomba, encarece substancialmente o custo de produção. Para se ter ideia, é preciso gastar R$ 84,24 em diesel por hora com o uso de um trator de 106 cavalos para a pulverização usando uma barra de 12 metros (no meio rural, o gasto com o combustível usada nas máquinas agrícolas é medido por hora, e não por quilometro percorrido, em função das variáveis como tipo da cultura, de solo, da máquina, da atividade, entre outras). Se for uma plantadeira ou uma colheitadeira, esse gasto com diesel ultrapassa, com sobra, os R$ 1 mil a hora de uso do maquinário.

E, para mais um dissabor do público urbano, essa alta no custo de produção por conta do reajuste do diesel será, certamente, repassada para fora da porteira, chegando aos preços dos alimentos nos supermercados. Em bom português, encareceu o custo para usar o carro e também, brevemente, para preparar as refeições em casa ou se alimentar na rua.

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Apesar de este novo reajuste ser, também, reflexo da ação do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que começou uma guerra (absurda) com a Ucrânia, e fez o preço do barril do petróleo aumentar ainda mais, há o que se fazer para minimizar os efeitos aqui dentro do Brasil. Claro, a partir da boa vontade política seria possível uma cobrança monofásica do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)sobre combustíveis — ou seja, em uma única fase da cadeia de produção —, para não haver o chamado “efeito cascata”. Segundo especialistas no tema, essa medida permitiria reduzir a sonegação e simplificar a complicada tributação atual.

Enquanto essa hora (e essa boa vontade) não chega, o jeito é adotar medidas alternativas para o deslocamento, deixando de lado o carro e optando pelo transporte público, aquela bicicleta empoeirada na garagem ou mesmo um tênis com amortecimento para não desgastar as articulações. Alternativas há, basta querer!

>> Leia mais sobre a relação entre campo e cidade na coluna Rural & Urbano!