Inevitavelmente um produtor rural, uma agroindústria ou uma empresa ligada a agropecuária, quando planejam o lançamento de um novo alimento e uma campanha de marketing, têm a preocupação com o público urbano. Isso ocorre pelo simples fato de que a maioria dos consumidores está nas cidades. Ou seja, é preciso conhecer o público alvo, bem como o tema para ser assertivo e evitar dissabores futuros.

O mesmo movimento de “preocupação” com o campo deveria ocorrer por parte da cidade. Mas, infelizmente, ainda nos deparamos com algumas situações controversas, que acabam por fomentar uma rivalidade entre o urbano e o rural. Apesar de esses dois meios se completarem e não conviverem em disputa.

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Nas últimas semanas de 2021, uma campanha de marketing do banco Bradesco, propondo uma segunda-feira sem carne ao apontar que a pecuária brasileira não é sustentável, causou atritos entre o urbano e o rural. Sugerir a redução do consumo de proteína animal não é o maior dos problemas. A preocupação está nos argumentos (ou melhor, a falta deles) em relação a pecuária brasileira. Erro grave, que demonstra total desconhecimento da instituição financeira em relação a parte dos seus clientes. Afinal, o Bradesco tem (ou tinha) algum punhado de pecuaristas na sua carteira de clientes. E, com certeza, esses contratavam vultuosos valores em financiamento, empréstimos, seguro de carro, seguro de vida e outros tantos serviços.

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A campanha de marketing desmedida por parte do Bradesco desencadeou uma onda de repúdio por parte de produtores rurais e entidades do setor, em todos os cantos do país. Pecuaristas e agricultores deixaram de fazer parte da carteira de clientes e protestos em forma de um bom churrasco foram registrados em frente a dezenas de agências bancárias nos primeiros dias do ano. E, certamente, o desgaste da imagem do Bradesco junto as populações urbana e rural é incalculável.

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Repito, o ponto de discussão aqui não é em torno do consumo ou não de carne. O cardápio do almoço cada pessoa define em casa ou no momento em que entra na fila do restaurante por quilo. Afinal, seguindo as regras e leis, cada cidadão, seja urbano ou rural, faz o que achar melhor. A questão envolve a desinformação em relação ao agronegócio, um setor tão importante para o país, para a economia e também, certamente, para o Bradesco.

Ainda, o Bradesco acabou por contribuir, de forma errada, equivocada e falha, para fomentar mais um capítulo da rivalidade (QUE NÃO EXISTE) entre o campo e a cidade. Bastava ao banco saber que a pecuária brasileira é sustentável, como atesta a Embrapa ao garantir que as emissões de CO2 pelos animais são neutralizadas pela absorção pelos pastos, e que a carne é um alimento ancestral (a espécie humana evoluiu comendo carne) para evitar os dissabores das últimas semanas, que certamente terão impactos por meses ou até anos na rotina do banco. A expectativa é que na próxima campanha de marketing, o Bradesco procure mais informação sobre os temas e setores que estarão envolvidos. E mais, saiba respeitar a todos, indistintamente.

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