Caro cidadão urbano,

Essa carta não tem o propósito de pedir uma trégua no ano que começa em breve. Isso porque não existe uma disputa entre os meios rural e urbano. Por mais que algumas pessoas, políticos, entidades, ONGs e especialistas pontuem que possa existir algo neste sentido, alguma rivalidade, afirmo categoricamente que não é o caso!

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Ainda, essas 500 palavras reunidas também não têm o objetivo de pedir reconhecimento ao nosso trabalho realizado nas áreas rurais. Assim como nós produtores rurais estamos produzindo alimentos, e este é o nosso ofício, no mesmo instante, professores estão educando nossos filhos, engenheiros mecânicos consertam nossas máquinas agrícolas, milhões de trabalhadores espalhados em milhares de agroindústrias transformam os grãos e carnes produzidos em nossas propriedades em produtos com valor agregado, e assim por diante. Como deve ocorrer em uma sociedade desenvolvida, cada profissional tem a sua função na cadeia e é reconhecido por isso, sem que haja um sentimento de dívida.

O fato é que o meio urbano precisa do rural tanto quanto o inverso é verdadeiro. Isso porque nós, eu produtor rural e você cidadão urbano, nos completamos. Somos parte de uma mesma equação que só fica completa e tem resultado positivo a partir de uma coexistência com harmonia e cumplicidade. Em qualquer relação diferente dessa, ambos estaremos perdendo, e muito, além de gerar impactos negativos ao nosso redor.

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A relação entre o rural e o urbano vai muito além da simples produção e consumo de alimentos. Isso precisa ficar claro para todos (principalmente pessoas más intencionadas, políticos, entidades, ONGs e supostos especialistas). A relação envolve sustentabilidade, cuidar da natureza, conservar o solo e a água, afinal, grande parte das áreas de preservação ambiental no Brasil está dentro das propriedades rurais. Os moradores da cidade precisam estar convencidos de que os produtores rurais fazem o seu melhor, cumprem as leis e regras, preservam ainda mais do que é exigido pela legislação, pois sabem que somente assim as safras dos próximos anos estão garantidas.

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Eu estou escrevendo essa carta para que possam dar início a esse processo de mudança de mentalidade entre nós e os que estão ao nosso redor logo no primeiro dia de 2022, pois não há mais tempo a perder. Precisamos dar um basta em eventuais cenários, muitas vezes descritos por leigos, de que existe uma competição, uma disputa ou mesmo uma rivalidade entre o rural e o urbano. Ao contrário, precisamos mostrar que o meio é um só, o meio em que vivemos, independente se o habitat que nos cerca é forjado de animais e plantações ou edifícios e ruas cheias de carros.

A frase é batida, mas cabe perfeitamente nesta situação: “precisamos usar menos o pronome ‘eu’, e mais o ‘nós’”! Afinal, a relação simbiótica (associação de dois organismos diferentes que permite viver com benefícios) entre as ações do urbano e rural somada a sincronia de um único discurso terá ganhos para todos.

Abraços,

Produtor rural

PS: o colunista aproveita a última coluna de 2021 para agradecer a audiência nestes três últimos meses, desde o lançamento da Coluna Rural & Urbano, e deseja um 2022 próspero, farto e, principalmente, com saúde, muita saúde. 

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