Do chapéu estilo salada de frutas da artista Carmen Miranda, usado quando desembarcou nos Estados Unidos no final da década de 1930, aos programas estrangeiros de gastronomia e filmes de Hollywood, as frutas produzidas no Brasil têm conquistado espaço no mercado internacional. Hoje, ao lado da China e Índia, o país está entre os maiores produtores, com 44 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). As três nações, juntas, são responsáveis por 45% da oferta global.

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Em questão de quantidade e valor, as frutas não se aproximam dos principais produtos agropecuários da pauta brasileira de exportação, como soja, milho, carnes de frango e de boi, açúcar e itens florestais. Mas, ano a ano, o país tem elevado as vendas internacionais de frutas, principalmente para a União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido, Argentina e Canadá. Hoje, mais de 150 nações compram as maçãs, mangas, limões, melões, entre outras variedades, produzidas por aqui.

No ano passado (2021), o setor de fruticultura brasileira alcançou a marca de US$ 1 bilhão de dólares em exportações, resultado do envio de cerca de 1,2 milhão de toneladas de frutas para o mercado internacional, 18% a mais em relação a 2020. A manga foi a fruta mais exportada, enquanto a maçã a recordista em faturamento.

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Alguns fatores explicam essa guinada no último ano. A valorização do dólar e do euro frente ao real potencializa as vendas no mercado internacional. Mais, o clima por aqui ajudou e boas safras, tanto em quantidade quanto em qualidade, foram colhidas. Ainda, o fator pandemia do coronavírus continua impactando no modo de vida da sociedade. Com as novas variantes, as pessoas intensificaram a alimentação mais saudável para turbinar a imunidade, o que elevou a procura de frutas frescas.

Mas, se por um lado a fruticultura está conquistando espaço no exterior, o movimento é oposto na mesa do brasileiro. Apenas 24,1% da população ingerem a quantidade de frutas recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 400 gramas diárias, em cinco ou mais dias da semana. Considerando apenas os homens, o percentual é de apenas 19,3%, enquanto o consumo entre as mulheres sobe para 28,3%.

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Uma das explicações está no alto custo para comprar as frutas. Em dois anos, esse alimento ficou 30% mais caro no Brasil, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). No mesmo período, a inflação geral foi de 15%. Ou seja, esse “desalinhamento” entre a inflação e o preço cobrado na gôndola dos supermercados acaba por desestimular a compra de um alimento tão importante para cardápio.

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Neste cenário, um ponto chama a atenção. Se o Brasil exporta pouco mais de 1 milhão de toneladas e produz 44 milhões de toneladas, mais de 42 milhões ficam no mercado interno. Essa quantidade é insuficiente para cumprir a recomendação da OMS de que cada um dos 220 milhões de brasileiros consuma 400 gramas de frutas (seriam necessárias 88 milhões de toneladas). Desta forma, as frutas seguem ausente na mesa da população. Ou seja, de nada adianta enfeitar o chapéu de Carmen Miranda ou aparecer em renomados programas de gastronomia sem que o próprio brasileiro possa desfrutar de uma maçã estilo Branca de Neve ou de uma fatia de melancia da Magali.