A pandemia do novo coronavírus fez com que muitas pessoas desenvolvessem novos hobbies dentro de casa, que ajudaram a obedecer ao distanciamento social nos piores períodos da doença. E, muitos destes recentes hábitos atualmente cravados no cotidiano urbano têm origem no meio rural. Minha irmã, por exemplo, aproveitou o fato de morar em uma casa com quintal amplo para construir a sua própria horta, de onde sai uma variedade de verduras como alface, rúcula, couve, cenoura, beterraba, entre tantas outras que, inclusive, abastecem a mesa deste colunista.

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O hábito de uma horta urbana (alguns chamam de fazenda urbana) tem ultrapassado o limite das residências. As próprias cidades, por meio das suas prefeituras e secretarias e/ou parcerias com entidades públicas e privadas, cada vez mais, têm apostado em espaços com produção de alimentos em meio a selva de edifícios, ruas disputadas por carros e ônibus e calçadas cheias de pedestres. E, na maioria dos casos, as atividades de agricultura urbana têm sido um sucesso.

Exemplo desta prática, Curitiba, desde 2018, tem ocupado espaços com fazendas urbanas. Já são quase 100 espalhadas por diversos bairros. Além da capital paranaense, segundo levantamento da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento, há 195 hortas escolares, 82 institucionais e 258 comunitárias espalhadas por todos os cantos do Paraná.

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A prática de instalar hortas/fazendas urbanas contabiliza uma vasta lista de benefícios para a população local, para o meio ambiente, para o bolso das pessoas, pois os alimentos são comercializados, e para a sociedade, afinal, parte da produção segue para programas sociais. Ainda, em muitos destes espaços os cidadãos podem fazer cursos na área de agricultura, jardinagem, pragas e doenças, o que colabora para garantir uma horta residencial por meio de práticas sustentáveis.

Na lista também consta que ocupar um espaço até então vazio e/ou abandonado reduz significativamente a chance de crime, tráfico de drogas e vandalismo no local e redondezas. Também evita que o espaço se torne o lixão do bairro, onde qualquer transeunte deposite objetos sem uso. Tem também o fato de apresentar “novos” alimentos ao cidadão da cidade, como as Plantas Alimentícias Não Convencionais, conhecidas Pancs, ricas em diversos nutrientes.

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Talvez, o principal ganho de uma horta/fazenda urbana em meio a agitação da cidade é o fato de a população geral conhecer um pouco mais da produção no meio rural. Esse tipo de projeto permite que eu, você ou qualquer cidadão urbano possa ter um contato direto com as atividades que, muitas vezes, passam desapercebidas no nosso dia a dia, mas que garantem alimentos na mesa. A intenção não é substituir a produção no meio rural (até porque é impossível tamanha demanda). É mais uma forma de conexão entre o rural e urbano, meios que se completam e que, como uma horta urbana, podem conviver em sintonia. Inclusive, parte das verduras e frutas que vai compor a sua ceia de Natal, na próxima sexta-feira, possa ter origem em uma horta urbana, pertinho da sua casa.

Aproveito o ensejo para desejar um Feliz Natal a todos, com fartura de alimentos e, principalmente, saúde.