Existe a promessa de que a internet 5G, padrão de tecnologia sucessor da quarta geração de internet móvel, chegará nas capitais brasileiras e cidades com mais de 500 mil habitantes, de forma paulatina, até o final do mês de setembro. Mais que isso, dizem os marqueteiros de plantão que a vida de milhões de pessoas, nos centros urbano e rural, será impactada e beneficiada por essa tecnologia de última geração. A lista é longa: rapidez da nova rede, facilidade no alcance em diversas regiões do mundo, economia de milhões de reais todos os anos, entre outras.

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Talvez, no futuro próximo, nós moradores dos centros urbanos tenhamos, com sorte e reza brava, os benefícios do 5G na nossa rotina (provavelmente parcial). Mas o produtor rural, mesmo no Paraná, um estado dito moderno e estruturado, não vai se beneficiar com a tecnologia 5G. Pelo menos não nos curto e médio prazos.

Por que a Internet 5G será ineficaz no meio rural?

O motivo é simples. Hoje, em pleno 2022, menos de 40% das propriedades rurais paranaenses têm internet 3G e 4G, mesmo todos os municípios do estado com cobertura de sinal. Ou seja, as regiões mais afastadas dos centros das cidades, via de regra, não estão cobertas.

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O quadro nacional é ainda mais catastrófico. Segundo relatório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre a conectividade no campo, apenas 23% das áreas rurais são cobertas com a conectividade. Ou seja, dos 5 milhões de estabelecimentos rurais do país, mais de 3,5 milhões operam offline. Diante destes dados, é previsível imaginar que o 5G não deve ser um divisor de água no meio rural.

Alguns poderão dizer que as faixas já foram leiloadas para as principais empresas de telecomunicações no Brasil. Que essas já estão instalando milhares de antenas país afora. Ainda, que testes foram realizados em cidades populosas como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e João Pessoa. Tudo isso para que as operadoras possam usar as frequências para oferecer o 5G aos consumidores. Mas, para isso sair do papel e ganhar os nossos celulares e computadores é preciso superar desafios históricos de infraestrutura e ampliar a conectividade.

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Internet 5G x robotização da agricultura

Certamente, o 5G contribuiria para um salto na produção agropecuária brasileira, por permitir o uso da robotização, da agricultura inteligente, de sistemas de irrigação automatizados, de softwares de monitoramento e rastreamento, de ferramentas de varredura de solo e dispositivos para o manejo de animais. Na teoria, ótimo! Na prática, para que o 5G realmente aconteça no campo, o setor rural, as empresas da cadeia produtiva do agronegócio e os produtores rurais precisam pressionar governos e operadoras para que os investimentos prometidos há anos (décadas?) saiam do papel.

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Pessimista? Que nada!

Alguns poderão pensar que esse colunista é cético. Não se trata exatamente disso. A questão envolve o fato de conhecer a realidade do meio rural do Paraná e de outros estados para saber que a tecnologia 5G não vai chegar (ao menos tão cedo) em grande parte das propriedades, que hoje nem contam com 3G e 4G. No caso do 5G, sou igual a São Tomé: “Só acredito vendo!”.

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