A semana começou com o anúncio de que a Petrobras aumentou, mais uma vez, o preço de venda do diesel para as distribuidoras, de R$ 4,51 para R$ 4,91 o litro. Esse reajuste, válido desde a última terça-feira (dia 10), traz impactos significativos nos meios rural e urbano. No campo, encarece ainda mais o custo de produção, que já anda elevado. Afinal, o diesel é usado em larga escala na produção agropecuária. Na cidade, desculpem ser repetitivo, vem por aí novos aumentos nos preços dos alimentos nas gôndolas dos supermercados.

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Apesar de indigesto, você sabe como é formado o preço dos combustíveis até chegar no tanque do seu carro e, claro, no seu bolso? Afinal, a Petrobras vende por R$ 4,91 o litro do diesel e o motorista paga algo próximo dos R$ 7 o litro na hora de abastecer.

O valor da Petrobras é apenas uma das parcelas da equação até a definição do valor final pago pelo consumidor. Para formação do preço encontrado nas bombas dos postos de combustíveis ainda são adicionadas parcelas da mistura obrigatória de biodiesel, custos e margens de distribuição e revenda, e tributos que, no caso do diesel, são Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e imposto estadual. Ah, claro, coloca aí o lucro do dono do posto, afinal, qualquer negócio precisa ser rentável.

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O cenário só não é pior porque os tributos federais Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) estão com as alíquotas zeradas até 31 de dezembro deste ano. Mas não se engane. Estamos isentos destes dois impostos por se tratar de ano eleitoral. Independentemente de quem saia vencedor nas urnas em outubro, o começo de 2023 promete a volta do PIS e Confins.

Vamos além. Mas por que o Brasil, um país com alta produção de petróleo (matéria-prima do diesel) não é autossuficiente? A explicação está na incapacidade das refinarias locais em purificar o petróleo. Em outras palavras, a tecnologia aqui usada para refinar e o tipo de petróleo produzido não estão sintonizados. Assim, o país acaba por exportar alguns milhões de barris da sua produção e, de forma paralela, pasmem, compra outros tantos milhões de barris no mercado internacional, prontos, para fazer o motor do seu carro funcionar. Só por curiosidade, um barril tem capacidade para 158,98 litros.

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Há outro fato que confirma a necessidade de investimentos em tecnologia. Segundo a própria Petrobras, as refinarias estão operando próximo do nível máximo (fator de utilização de 93% no início de maio), considerando as condições adequadas de segurança e de rentabilidade. Isso faz com que 30% do consumo brasileiro de diesel sejam atendidos por outros refinadores e/ou importadores.

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Não é de hoje (e também não só no segmento de combustíveis) que o Brasil precisa investir em tecnologia, principalmente nas refinarias estatais. Especialistas da área afirmam que o setor está estagnado há décadas. Do contrário, com mais produção interna condizente com o uso em automóveis, o país seria menos vulnerável a volatilidade dos preços internacionais e ganharia em competitividade. Mas, isso parece ser pedir demais para o Brasil Colônia do Século 21.

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