A expressão popular “o pau que dá em Chico dá em Francisco” cai como uma luva para o momento de falta de chuvas no Paraná (e em outros estados do país). O mau humor de São Pedro nos últimos anos está exigindo um esforço extra das populações urbana e rural, em alguns casos, inclusive gerando severos prejuízos financeiros. E, o pior, diante de um cenário nada otimista, a situação deve continuar complicada, com a possibilidade de um agravamento da crise hídrica.

No interior do Paraná, a situação está bastante complicada. Dezenas de cidades, principalmente nas regiões Oeste e Sudoeste, decretaram estado de emergência por conta da crise hídrica. Ah, as consecutivas chuvas registradas em Curitiba, quase que diariamente, não ocorrem da mesma forma nas demais regiões do estado. No campo, dentro da porteira das propriedades rurais, as lavouras de soja, milho e feijão estão, literalmente, derretendo debaixo do sol quente, sem água no solo.

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O impacto disso será de diversas formas, nos meios urbano e rural, começando pela alta do preço dos alimentos. Afinal, diante da regra da oferta e demanda, com menos alimento à disposição e uma procura aquecida, principalmente deste o início da pandemia do coronavírus, os produtos nas prateleiras dos supermercados devem, no curto prazo, registrar uma alta de valor.

No campo, o agricultor, claro, deixará de faturar com a venda da produção estimada quando plantou, lá em outubro, dependendo da região do estado. Ou seja, com menos dinheiro em caixa será preciso renegociar as prestações do financiamento junto as instituições financeiras.

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A seca não impacta apenas os agricultores. Outras cadeias produtivas como das proteínas animais já estão sofrendo. Afinal, com uma colheita menor e menos grão para produzir ração, o custo de produção irá aumentar.

Nas cidades, o impacto também será grande. As perdas nas lavouras vão fazer com que muito dinheiro deixe de girar nas economias municipais e estadual. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura do Paraná (Seab), a estimativa é um prejuízo de R$ 25,6 bilhões (isso mesmo, bilhões), com tendência de aumento pela continuidade da falta de chuvas. Trocando em miúdos, menos dinheiro circulando no comércio, menos consumo, menos serviço contratado, menos emprego.

No meio urbano, a população ainda convive com um rodízio de água. Isso exige uma engenharia por parte das famílias, que precisam ficar atentas ao calendário estabelecido pelos órgãos oficiais. Afinal, é preciso tomar banho, lavar roupas e ter água para beber e cozinhar, entre outras tarefas que não são, digamos, essenciais. Sem o líquido em abundância, foi preciso criar uma espécie de uma rotina dentro de casa. Acredito que com você também. Lavar roupa, por exemplo, um ou, no máximo, dois dias por semana.

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A seca é apenas mais uma perspectiva, entre tantas outras, que comprova a proximidade entre os meios urbanos e rurais, e como o efeito de algo que acontece em um ricocheteia no outro. O jeito agora é moradores do campo e cidade torcerem para São Pedro melhorar de humor e proporcionar chuvas em boas quantidades.